
As fraudes no INSS não são novidade, desde de Jorgina de Freitas até os dias atuais, infelizmente fraudar o inss é uma corrente cíclica, mas o que vemos agora é uma mobilização inédita entre Legislativo e Judiciário para tentar frear a sangria de bilhões que saíram dos cofres públicos e prejudicaram diretamente aposentados e pensionistas.
De um lado, a CPMI do INSS atua como uma cirurgia de precisão, saindo um pouco da pauta política, aprovando centenas de quebras de sigilo e pedindo prisões. De outro, a Polícia Federal, com autorização do Supremo Tribunal Federal, avança em operações que começam a colocar nomes poderosos atrás das grades. Pela primeira vez em muito tempo, há sinais de que a impunidade pode não ser a regra.
A CPMI, instalada neste ano, mostrou logo na 7ª reunião que não pretende ser figurante no jogo político. Foram 406 requerimentos aprovados de uma só vez, incluindo quebras de sigilo bancário e fiscal, além de pedidos de relatórios ao COAF. Os alvos vão de empresários suspeitos a ex-dirigentes do próprio INSS.
Entre eles, Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, acusado de movimentar mais de R$ 53 milhões, e Maurício Camisotti, outro nome que desponta no escândalo.
Enquanto isso, o Judiciário começou a dar sinais de resposta. Em decisão do ministro André Mendonça, a Polícia Federal prendeu o “Careca do INSS” e Camisotti, no âmbito da Operação Sem Desconto. Mas a decisão do mesmo ministro de desobrigar os acusados a depor na CPMI expôs as contradições do processo, criticada abertamente pelo Congresso. Ainda assim, sob pressão, os investigados aceitaram comparecer voluntariamente à comissão.
O que está em jogo é muito mais que a responsabilização de alguns fraudadores: trata-se da credibilidade das instituições e da confiança da população. O rombo estimado passa de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.
Dinheiro que poderia estar financiando saúde, educação ou melhorando a própria Previdência. Para quem depende de um benefício mensal para sobreviver, a sensação é de indignação e revolta.
A sinergia entre Parlamento e Judiciário pode ser o caminho para algo concreto: bloquear bens, recuperar valores e punir exemplarmente os envolvidos. Mas o alerta é claro: não basta espetáculo político. O Brasil já cansou de CPIs que terminam em pizza e de operações que começam com barulho e acabam no esquecimento.
Se a dignidade dos idosos e a saúde financeira da Previdência forem tratadas como prioridade, esse pode ser um marco na luta contra a corrupção. Caso contrário, será apenas mais um capítulo da longa novela da impunidade brasileira e dos crimes praticados no INSS.






