CRIME, CRIME E CRIME NO RIO

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A operação no Rio de Janeiro que resultou na morte de 121 pessoas dividiu a opinião pública. Para alguns, foi um sucesso contra o crime; para outros, um fracasso do Estado. Mas há pontos de convergência que não podem ser ignorados — e de tão evidentes, saltam aos olhos. O crime organizado cresceu, se estruturou e se expandiu como nunca. Criou verdadeiros estados paralelos, com fronteiras, regras próprias e domínio territorial. É um poder que desafia o Estado e impõe sua própria lógica de governo. Esse avanço não surgiu do nada. Ele é fruto direto da omissão do Estado, da ausência de políticas públicas efetivas e da falência de um modelo de segurança que, há décadas, insiste nas mesmas táticas e colhe os mesmos resultados.  A operação policial mais letal da história do Brasil pode ter apreendido armamentos de alto poder destrutivo, mas falhou no essencial: não desarticulou a facção criminosa, não prendeu suas lideranças e tampouco reduziu o poder do tráfico. E é aqui que surgem as perguntas que o poder público precisa responder:•A alta letalidade poderia ter sido evitada?•Esse modelo de enfrentamento será sempre o padrão no combate ao crime organizado?•Houve excessos? Se sim, quem deve ser responsabilizado?•O Estado vai continuar chancelando uma política de segurança que naturaliza a morte como resultado aceitável? Essas questões não podem ser empurradas para debaixo do tapete. Não se trata de defender bandidos, mas de defender a civilização. Porque quando o Estado age sem limites, ele se iguala àqueles que diz combater. É hora de refletir: estamos vivendo sob a civilidade ou à beira da barbárie?

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