

O futebol europeu parece ter encontrado um outro compasso. No Mundial de Clubes, três dos quatro semifinalistas Real Madrid, PSG e Chelsea vieram da Europa. O Fluminense, bravo sobrevivente sul-americano, encarou gigantes formados por elencos globais e investimentos que beiram o ilimitado.
Com cofres recheados e estrutura de ponta, os clubes europeus se tornaram centros de excelência. Reúnem talentos de todas as línguas e bandeiras, montam verdadeiras seleções e transformam seus times em máquinas. Técnica, força e organização andam lado a lado e o resultado está em campo.
Nesse cenário, a façanha da Argentina em 2022 ganha ainda mais valor. A seleção campeã do Catar, liderada por Messi dentro de campo e por Scaloni fora dele, deixou pelo caminho quatro seleções europeias: Polônia, Holanda, Croácia e França. Vencer a elite com um time latino, unido e competitivo, foi um feito raro na atual era do futebol.
Enquanto isso, o Brasil vive um paradoxo. Exporta talento em escala industrial, mas não consegue fazer sua Seleção funcionar com a mesma eficiência dos clubes europeus. Nossos jogadores brilham fora, mas os holofotes apagam quando vestem amarelo. Falta sintonia, padrão e, talvez, comando.
A chegada de Carlo Ancelotti pode ser um divisor de águas. Ícone do futebol europeu, o técnico italiano assume a missão de resgatar o prestígio da Seleção. Um sinal claro de que, hoje, o Brasil mais aprende do que ensina. Já não somos os professores somos os alunos.






