Entre a lupa e o apito: o VAR não curou o velho mal da arbitragem brasilais distante

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A cada rodada do Campeonato Brasileiro, uma certeza se reforça: a tecnologia chegou, mas a credibilidade ainda não. O VAR, que deveria ser sinônimo de justiça e transparência, se tornou cúmplice involuntário de um sistema que segue refém de interpretações esdrúxulas, critérios confusos e decisões que beiram o absurdo.

O mais recente capítulo desse enredo veio na 27ª rodada. A Comissão de Arbitragem da CBF anunciou o afastamento dos árbitros e operadores de vídeo que atuaram em São Paulo x Palmeiras e Red Bull Bragantino x Grêmio, após fortes reclamações de dirigentes e torcedores. Oficialmente, o motivo é “treinamento e aprimoramento”. Na prática, é a velha “geladeira” o castigo simbólico que serve para conter a pressão, mas não resolve nada.

No MorumBis, o clássico entre tricolores e alviverdes terminou em 3 a 2 para o Palmeiras, mas o resultado foi ofuscado pela revolta são-paulina. O presidente Júlio Casares publicou nas redes sociais cinco lances questionáveis e acusou a arbitragem de ter “manchado o Brasileirão”. Entre as queixas, um pênalti de Allan sobre Tapia ignorado e uma falta dura de Andreas Pereira em Marcos Antônio que poderia — e deveria — ter rendido o cartão vermelho.

Já em Bragança Paulista, a indignação foi gremista. O Grêmio caiu por 1 a 0 diante do Red Bull Bragantino, num jogo decidido por um pênalti duvidoso e pela expulsão precoce de Kannemann. O lateral Marlon resumiu o sentimento com uma frase direta: “O Grêmio está sendo roubado”. Forte? Sim. Mas quem acompanha o Brasileirão entende o desabafo.

O problema é crônico e institucional. Há anos, a arbitragem brasileira opera num limbo entre a falta de preparo e a ausência de critérios. O VAR, que prometia eliminar injustiças, acabou expondo ainda mais a fragilidade do sistema. As imagens são claras, mas as interpretações seguem turvas. Um toque é pênalti em um jogo, “jogada normal” em outro. Um braço é suficiente para expulsão num domingo, mas irrelevante na quarta-feira seguinte.

O torcedor, que deveria confiar no apito e no monitor, hoje desconfia dos dois. E o pior: o erro virou rotina, banalizado, quase parte do espetáculo. A cada rodada, surge uma nova polêmica, uma nova nota da CBF, uma nova promessa de reciclagem enquanto a coerência continua no vestiário.

O futebol brasileiro precisa de transparência, não de castigos protocolares. Precisa de comunicação clara, de árbitros com preparo técnico e emocional, e de uma Comissão que assuma responsabilidade em vez de esconder-se atrás de comunicados. Porque, no fim das contas, o VAR não erra sozinho ele só amplifica o erro humano de um sistema que se recusa a evoluir.

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