
O Supremo Tribunal Federal não vive apenas uma crise de imagem; o que assistimos é um derretimento institucional e uma erosão moral sem precedentes. O epicentro desse desastre atende pelo nome de Caso Banco Master, um escândalo que jogou a mais alta Corte do país na vala comum do balcão de negócios e desmoralizou a autoridade de quem deveria ser o guardião último da Constituição.
A promiscuidade das cifras assusta: o dinheiro do banco regou generosamente as contas do escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes, encheu os bolsos dos irmãos do ministro Dias Toffoli e ainda serviu para contratar, a peso de ouro, o ex-ministro da Corte e recém-saído do Ministério da Justiça, Ricardo Lewandowski. O resultado prático dessa teia de interesses é o caos.
O dono da instituição financeira, Daniel Vorcaro, que deveria estar respondendo pela gravidade das fraudes, passou irrisórios doze dias na cadeia e já circula livremente. Enquanto isso, o Supremo age como uma confraria que protege os seus. Dias Toffoli, protagonista de decisões erráticas, atípicas e sob pesada suspeição em relação aos seus laços umbilicais com Vorcaro e o banco, fez o mínimo do mínimo: entregou a relatoria do caso, apenas para ser imediatamente blindado por uma defesa corporativista e quase intransigente de vários de seus pares.
O STF preferiu fechar os olhos para o conflito de interesses a cortar na própria carne, ressalvadas as honrosas e raras exceções, como a da ministra Cármen Lúcia, que tenta preservar sua atuação à margem dessa cloaca moral. A sensação que fica para o cidadão brasileiro é de abandono e cinismo. Um tribunal que normaliza a promiscuidade financeira entre os familiares de seus magistrados e os réus que eles mesmos julgam não tem como exigir respeito da sociedade.
O Supremo precisa, urgentemente, passar por um expurgo de suas práticas e vaidades para voltar a ser a bússola moral de que a nossa democracia tanto necessita; caso contrário, a toga continuará servindo apenas como manto para a mais descarada impunidade.






