

Neymar é, sem dúvida, o maior ídolo do futebol brasileiro dos últimos anos. Carrega números, títulos, jogadas históricas e um peso simbólico que nenhum outro jogador da sua geração conseguiu alcançar. Seu retorno ao Santos reacendeu a nostalgia, a esperança e também os questionamentos: qual Neymar temos hoje?
É fato que a gravíssima lesão que sofreu mudou sua dinâmica em campo. Ele já não entrega a mesma explosão, o mesmo drible em repetição infinita, nem o ritmo que o colocou entre os três melhores do mundo. Mas Neymar ainda é Neymar, capaz de alterar o rumo de uma partida em um único lance. E foi justamente isso que vimos na vitória do Santos contra o Palmeiras: uma mudança clara de postura, mais participação, mais presença, mais vontade competitiva e menos reclamação com arbitragem e companheiros. Um lampejo do craque que encantou o planeta.
Enquanto isso, a Seleção Brasileira venceu novamente, em amistoso contra Senegal, mostrando evolução dentro da ideia de jogo proposta. A equipe cresce, encontra alternativas, e Carlo Ancelotti parece cada vez mais confortável com o elenco que tem nas mãos. E é aí que entra o ponto crucial: Ancelotti não precisa de Neymar? Ou não precisa nem testar Neymar? O técnico não está obrigado a convocá-lo por história, por status ou por pressão. A Seleção tem crescido sem ele, e isso abre espaço para uma possibilidade real: Neymar pode não ir à Copa.
Pela primeira vez em muitos anos, a discussão não é “como montar o time ao redor de Neymar?”, mas sim: “Neymar ainda merece estar na Seleção?” A resposta, hoje, é um talvez. E esse talvez é grande.
Por outro lado, também é verdade que ainda há tempo. O Campeonato Brasileiro está na reta final, o Santos de Neymar precisa dele e, se existe alguém capaz de virar um cenário adverso, esse alguém é ele. Com sequência, competitividade e atitude como demonstrou contra o Palmeiras, Neymar pode, sim, recuperar terreno e transformar dúvida em certeza.
Em 2002, última vez que a Seleção foi campeã mundial, Romário era peça central do Vasco, mas foi preterido. E vencemos sem ele. É verdade que aquela era uma seleção repleta de estrelas e vivíamos outro momento do futebol. O debate está aberto, e os próximos capítulos devem acalorar as discussões futuras.






