

O governo federal implementou um novo modelo de crédito imobiliário com o objetivo de reestruturar o uso da poupança e ampliar o acesso ao financiamento, principalmente para a classe média. As mudanças, anunciadas recentemente, impactam diretamente o Sistema Financeiro da Habitação (SFH) e trazem perspectivas de aquecimento para o mercado imobiliário brasileiro.
O cerne da alteração reside na redefinição da alocação dos recursos da poupança (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo – SBPE). O modelo em transição (com plena vigência em 2027) tem por objetivo tornar o uso da poupança mais eficiente, permitindo que as instituições financeiras utilizem os recursos em operações mais rentáveis, desde que mantenham o volume de crédito habitacional.
A principal alavanca para o mercado reside na ampliação do teto de financiamento e na melhoria das condições de acesso para a classe média, que estava desassistida nas faixas mais altas de renda.
O valor máximo dos imóveis financiáveis pelo SFH, utilizando recursos da poupança e do FGTS, foi elevado de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões. Este ajuste, alinhado à valorização imobiliária e inflação, expande significativamente o universo de imóveis elegíveis para financiamento com condições mais vantajosas (juros limitados a 12% ao ano).
Com o aumento do teto e a maior liquidez para o crédito, o mercado secundário (imóveis prontos) tende a ser aquecido e também os lançamentos de imóveis de valor mais elevado, atingindo famílias com renda entre R$ 12 mil e R$ 29 mil.
Alem disso, foi lançado o crédito para reforma de até R$ 30 mil com juros reduzidos voltada para famílias de renda mais baixa (até R$ 9,6 mil), o que também deve impulsionar o setor de construção civil de pequeno porte e o varejo de materiais de construção.
O novo modelo de crédito imobiliário é uma reforma estrutural que maximiza a eficiência dos recursos da poupança para financiar a habitação. Ao aumentar o teto e injetar maior liquidez, o governo não apenas busca desafogar o crédito para a classe média, mas também fornece um estímulo direto para a produção e comercialização de imóveis, sinalizando a busca real para concretizar o potencial aquecimento de 5,4% para o mercado imobiliário brasileiro nos próximos anos (até 2029, segundo a CBIC), em busca de reduzir o déficit habitacional que ainda possui os alarmantes quase 6 milhões de habitações no país.






