
Após um período de relativa apatia, as ruas voltaram a ser o palco dos movimentos de esquerda realizando manifestações em todas as 27 capitais no último domingo, 21 de setembro de 2025. O foco dos protestos, que incluíram a participação de artistas, foi a rejeição veemente à PEC da Blindagem e ao projeto de Anistia. A PEC da Blindagem (PEC nº 3 de 2021) foi aprovada na Câmara em 16 de setembro, numa versão que, representa um “risco à separação de poderes”.
A proposta torna mais difícil que o Supremo Tribunal Federal (STF) inicie processos criminais contra parlamentares, exigindo a autorização da respectiva Casa Legislativa por voto secreto, um movimento que a Transparência Internacional alerta aumentar os riscos de “infiltração do crime organizado na política”. Paralelamente, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), aprovou a urgência de um Projeto de Lei que busca perdoar crimes políticos e eleitorais cometidos no período que abrange os atos de 8 de janeiro, que pode agravar o conflito institucional.
A grande pergunta que paira é se esse retorno da mobilização popular será capaz de frear o ímpeto corporativista do Congresso. Esta tentativa de autoproteção legislativa toca em conceitos fundamentais sobre o equilíbrio democrático. Em Como as Democracias Morrem, Steven Levitsky e Daniel Ziblatt apontam que a subversão democrática ocorre quando líderes buscam capturar os “árbitros do jogo”, e a PEC da Blindagem é vista como uma tentativa de transformar o Legislativo em juiz de sua própria responsabilização criminal.
No entanto, a pressão popular já gerou efeitos concretos no Senado, onde o clima para a PEC é “zero na Casa”. O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Otto Alencar (PSD-BA), afirmou que o texto “não passa de jeito nenhum”. Senadores estão preocupados com a intensa “reação das redes sociais” e a opinião pública, agindo como um freio institucional.
Essa dinâmica reflete um campo de batalha político onde, embora as campanhas populistas muitas vezes usem táticas digitais de firehosing e astroturfing (conforme descrito em A Máquina do Ódio), a mobilização visível, amplificada pelas redes, demonstra um mecanismo de accountability que força o recuo em pautas de impunidade. Ainda é cedo definir de que lado o congresso atuará, de uma coisa temos certeza as ruas estão divididas e o congresso coeso em unidade.






