

O Santa Cruz deu mais uma prova de que não vive apenas de história, mas também de entrega dentro de campo. Na tarde deste domingo (14), no Castelão, o Tricolor venceu o Maranhão por 1 a 0 e abriu vantagem na semifinal da Série D do Campeonato Brasileiro. O gol solitário e belíssimo de Renato coroou uma atuação segura defensivamente e madura taticamente.
Não foi um jogo de encher os olhos. Pelo contrário: a primeira etapa teve o Maranhão assumindo as rédeas e rondando com frequência a área coral, criando chances com Ryan e Vagalume, mas pecando no momento de definir. O Santa, por sua vez, soube esperar os erros do adversário e quase aproveitou com Thiago Galhardo e William Júnior, que pararam na má pontaria.
Na volta do intervalo, o Tricolor até chegou a marcar, mas o árbitro anulou o lance. O MAC então voltou a comandar as ações, sem transformar posse em perigo real. E foi justamente no momento em que o jogo parecia caminhar para um empate sem brilho que apareceu a estrela coral: após bola parada, Matheus Vinicius escorou e Renato, com categoria rara para a Série D, acertou um voleio que silenciou o Castelão. Um gol de quem tem faro e confiança.
Mais do que a vitória, o que chama atenção é a postura do Santa Cruz. Mesmo já garantido na Série C de 2026, o time mostra que não relaxou. Continua com a mesma fome, a mesma vontade de dar alegrias ao seu torcedor e de buscar a taça algo que seria simbólico para marcar a volta por cima após anos de sofrimento.
O Maranhão ainda tentou reagir no fim, mas parou em Rokenedy e na bem postada defesa coral. O resultado é justo pelo espírito competitivo demonstrado.
Volta ao Arruda.
No próximo sábado (20), no Arruda, o Santa Cruz tem tudo para confirmar a vaga na final. A vantagem é mínima, é verdade, mas a confiança que o time transmite dentro e fora de campo mostra que esse elenco entendeu a responsabilidade de vestir a camisa tricolor. O acesso já foi conquistado, mas a missão agora é maior: fechar a temporada com chave de ouro e devolver ao torcedor o gosto de gritar “é campeão”.
Náutico irreconhecível e decepcionante nos Aflitos
O que se viu neste sábado nos Aflitos foi um Náutico muito distante do time competitivo que vinha encantando o torcedor. Apesar da casa cheia e do apoio incondicional vindo das arquibancadas, o Timbu foi presa fácil para o Guarani, que venceu por 2 a 0 e, de quebra, quebrou a longa série de 13 partidas de invencibilidade alvirrubra na Série C.
Não há como negar que o trabalho de Hélio dos Anjos é positivo talvez o melhor dos últimos anos, mas a atuação contra o Bugre foi um verdadeiro banho de água fria. O time entrou desligado, lento e sem a intensidade que virou marca dessa retomada. A ausência de João Maistro, suspenso, e de Carlinhos, lesionado, não explica tudo. A dupla improvisada na zaga, Rayan e Mateus Silva, mostrou-se desentrosada, cometendo erros primários que custaram caro. Foram falhas que não se admitem em quem carrega a fama de “defesa menos vazada do país”.
O que mais chama atenção é a falta de atitude. Em momento algum o Náutico pareceu disposto a impor seu mando de campo. Sem criatividade no meio e sem agressividade no ataque, foi engolido por um Guarani aplicado, mas longe de ser brilhante. O resultado, portanto, é reflexo da apatia alvirrubra.
É verdade que a torcida, reconhecendo a boa campanha até aqui, terminou aplaudindo a equipe, mas o sinal de alerta está aceso. Em fase decisiva, não há espaço para acomodação ou jogos burocráticos. Se o Náutico quiser voltar à Série B, precisa retomar a fome que o trouxe até aqui caso contrário, o sonho pode virar frustração.
Lanterna dos Afogados
O Sport parece ter incorporado, no Brasileirão, a música dos Paralamas do Sucesso. Hoje, o Leão é exatamente isso: a lanterna dos afogados. Contra o Red Bull Bragantino, em Bragança Paulista, até esboçou reação com o gol de Derik Lacerda nos acréscimos, mas ficou no 1 a 1 e segue sem perspectiva real de salvação. O ponto somado é quase simbólico diante de uma campanha que beira o melancólico.
O adversário, que poderia encostar no G6, deixou escapar a vitória em casa. Já o Sport, afundado na última posição, apenas prolonga sua agonia. Nem a nota oficial publicada pelo clube, acusando Anderson Daronco de “tendência” e citando dois pênaltis não marcados, muda o roteiro trágico desta temporada. Reclamar de arbitragem pode até aliviar momentaneamente a raiva, mas não mascara a fragilidade de um elenco que se arrasta em campo, sem confiança, sem competitividade e, acima de tudo, sem futebol.
É verdade que Daniel Paulista falou em recuperação no segundo tempo, mas isso soa como consolo barato. O Sport não precisa de lampejos de reação: precisa de uma transformação que, a essa altura, parece impossível. Enquanto isso, a torcida, que sempre se apega à esperança, assiste ao time se afogar lentamente na tabela, agarrado apenas as estrofes da música: “Há uma luz no túnel dos desesperados. Há um cais de porto pra quem precisa chegar.”
O problema é que, no caso do Sport, a luz não parece mais acender neste Brasileirão. O que resta é encarar a dura realidade: a lanterna dos afogados deixou de ser metáfora. E virou destino.






