

A Série C do Campeonato Brasileiro deixou para trás sua primeira fase neste sábado e afunilou a disputa. Restaram apenas oito times na corrida pelas quatro sonhadas vagas na Série B de 2026. A partir do próximo fim de semana, começam os quadrangulares do acesso e é nesse novo cenário que o Náutico, embalado pela ótima campanha recente, surge como favorito no seu grupo.
O Timbu terminou a fase inicial com autoridade, garantindo classificação com antecedência e exibindo uma solidez que reacendeu a confiança da torcida. Porém, o caminho que se desenha não será nada fácil. O clube alvirrubro caiu em um quadrangular recheado de tradição e pedreiras: Ponte Preta, Brusque e Guarani. Três adversários que, cada um à sua maneira, sabem jogar competições duras e têm histórico de briga por acesso.
O favoritismo do Náutico se sustenta pela sequência invicta, pelo bom momento ofensivo e pela defesa consistente. O time tem mostrado equilíbrio e capacidade de decisão, características essenciais para enfrentar jogos de ida e volta que, em geral, são verdadeiras batalhas táticas.
Ainda assim, não há espaço para deslizes. O Guarani, mesmo vindo de altos e baixos, é um clube acostumado a jogos grandes. O Brusque chega com moral após escapar do risco de eliminação e garantir a vaga na última rodada. Já a Ponte Preta, apesar das oscilações, traz consigo o peso de sua camisa e a experiência de quem já frequentou a elite nacional.
Se a tabela aponta o Náutico como principal candidato à vaga no grupo, o campo promete mostrar equilíbrio. O torcedor pode esperar tensão até a última rodada, porque nesse quadrangular não haverá jogo fácil. O Timbu é favorito, mas terá que provar isso dentro das quatro linhas.
Santa Cruz respira, mas ainda deve mais
O Santa Cruz tem flertado com o drama em praticamente todo o mata-mata da Série D. Sofreu com o Sergipe, precisou dos pênaltis contra o Altos e parecia condenado a repetir a mesma sina de jogos amarrados e finais sufocantes. Mas diante do América-RN, enfim, conseguiu algo diferente: venceu no Arruda por 1 a 0 e leva uma vantagem, mesmo que mínima, para a partida decisiva.
Não é a folga dos sonhos. O empate basta para o acesso, mas o roteiro mostra que o Tricolor insiste em caminhar sempre no fio da navalha. E isso não condiz com o peso da camisa, nem com o que o clube poderia apresentar. O Santa tem elenco e estrutura para conseguir o acesso em condições mais competitivas do que as que vem demonstrando até agora.
O ataque, que no início da competição parecia ser um diferencial, perdeu força no momento em que mais precisava ser decisivo. Parte disso é normal, pela exigência maior dos confrontos, mas outra parte recai na dificuldade do time em aproveitar chances claras. E isso mantém o torcedor em suspense a cada duelo.
Ainda assim, o que importa é que o Santa Cruz segue vivo. A vantagem pode ser pequena, mas é real e coloca o clube a um passo de voltar à Série C. Se vai chegar forte ou o pior, nem chega. Só o próximo jogo dirá.
À espera do Natal
A temporada do Sport na Série A é um pesadelo sem fim. Em vinte rodadas, o Leão só conseguiu vencer uma única vez e somou míseros dez pontos. Não por acaso, ocupa a última posição com sobras e carrega nas costas a maior probabilidade de rebaixamento de todo o campeonato. As chances de queda beiram os 96%. Em outras palavras: o torcedor rubro-negro já se prepara para encarar a Segundona.
A derrota em casa para o Vasco, de virada, foi apenas mais um capítulo de um drama que parece não ter fim. Já são quase seis meses sem sentir o gosto da vitória na Ilha do Retiro, algo inimaginável para um clube da grandeza do Sport. Com a defesa vazando em praticamente todos os jogos e um ataque que pouco incomoda, o pior de toda a competição, com apenas 14 gols marcados, não há como acreditar em milagres a curto prazo.
O discurso matemático até tenta dar esperança: seriam necessários 35 pontos nas próximas 18 rodadas para escapar. Mas é difícil projetar uma arrancada desse tamanho em um time que se acostumou a perder. A verdade é dura, mas precisa ser dita: o Sport não tem mostrado força para reagir. Enquanto os rivais lutam com algum fôlego, o Leão parece já ter entregue os pontos. A luta que sobra é contra o relógio e contra a descrença da torcida, que enxerga 2025 se aproximando com um futuro de Série B.
Se nada mudar radicalmente e rápido, o torcedor rubro-negro terá que esperar até dezembro para ter algum alívio. Talvez, quando o Natal chegar, ou de Natal, venha a única boa notícia da temporada: o fim de um ano para ser esquecido. Até lá, é só sofrimento.






