

No calendário, o 8 de março é o Dia Internacional da Mulher. Nas ruas da Capital do Agreste, porém, todos os dias são delas. As mulheres movimentam a maior feira do mundo, lideram confecções e são a base de grande parte das famílias da nossa região. Mas existe um paradoxo incômodo: embora sejam o motor da economia e da cultura, as mulheres ainda ocupam poucos assentos nos espaços onde as decisões de poder realmente acontecem.
É comum ouvirmos que as mulheres trazem “sensibilidade” à gestão. Mas a verdade é mais profunda e menos romântica: elas trazem eficiência. Uma cidade que não tem figuras femininas em cargos de liderança — seja na política ou na iniciativa privada — padece de uma visão limitada.
Quem vive a jornada dupla – por vezes até tripla, quem cuida da logística doméstica e quem mais utiliza o transporte público e equipamentos de saúde, tem uma percepção cirúrgica sobre o que funciona e o que falha em Caruaru. O protagonismo feminino no poder não é uma concessão, é uma necessidade estratégica para que a cidade cresça com equilíbrio social e econômico.
Não podemos falar em celebração sem encarar a realidade dos dados. A violência de gênero ainda é uma mancha estatística que precisamos apagar. O enfrentamento a essa situação não é apenas uma “pauta feminina”, é um dever de todo cidadão que preza pela ordem e pelo bem-estar social.
O maior gesto de respeito que se pode oferecer à uma mulher hoje é a garantia de sua integridade. Isso passa por medidas urgentes de proteção e, fundamentalmente, por garantir que elas participem da criação das leis e das estratégias de enfrentamento à violência. Afinal, ninguém melhor do que quem sente o risco para desenhar a solução..
Neste março, que as homenagens sejam o ponto de partida para uma reflexão maior: o lugar da mulher na construção da cidade deve ser exatamente onde as decisões são tomadas para que tenhamos um lugar sustentável para se viver e empreender.






