Planejamento Urbano pode auxiliar no enfrentamento da Violência de Gênero

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Foto: Google

Próximo dia 25 de novembro, Caruaru sediará o primeiro congresso do agreste sobre o enfrentamento da violência de gênero, promovido pela Secretaria da Mulher do Município.

Sabemos que esse assunto é algo alarmante, pois a violência e suas múltiplas formas, não é apenas um problema social e legal, mas também espacial.

A maneira como nossas cidades são projetadas e geridas tem um impacto direto na percepção de segurança e na vulnerabilidade das mulheres, especialmente em ambientes públicos. Olhar para o planejamento urbano não é apenas uma questão de infraestrutura, mas uma estratégia fundamental no enfrentamento dessa violência.

Um dos conceitos centrais para projetar cidades mais seguras é a Prevenção da Criminalidade Através do Desenho Ambiental (CPTED). A ideia é simples: um ambiente que é visto, usado e bem cuidado inibe a criminalidade.

Isso se traduz em práticas como  Iluminação Eficaz de ruas, paradas de ônibus e parques, redução de pontos cegos e aumento da visibilidade, diminuindo a sensação de isolamento e medo, especialmente no uso das calçadas em horários noturnos.

O desenho de edifícios e espaços que evitem muros altos, arbustos densos e recantos isolados permite a vigilância natural por parte dos próprios moradores e usuários. Mais olhos nas ruas significam mais segurança.

Outro fator importante no planejamento das cidades é a criação de áreas que combinam residências, comércio e serviços, para que se mantenham ativas em diferentes horários do dia. Uma rua movimentada às 18h e às 22h é inerentemente mais segura do que um distrito puramente comercial que se esvazia após o expediente.

Outro elemento urbano que repercute diretamente na violência de gênero está ligado à mobilidade urbana. Muitas mulheres relatam medo ou são vítimas de assédio e violência no trajeto para casa, no transporte público, esperando em pontos isolados, utilizando as ruas e calçadas durante as práticas esportivas.

O planejamento deve garantir rotas de deslocamento que sejam seguras e eficientes, tais como a localização de pontos de ônibus ou estações de metrô devem ser priorizadas em áreas bem iluminadas e próximas às zonas de atividade, nunca em lugares ermos ou túneis isolados.

Calçadas em bom estado de conservação, livres de obstruções e com boa iluminação são essenciais. O trajeto a pé não pode ser uma rota de risco. As cidades precisam de calçadas contínuas e transitáveis que priorizem o pedestre, não apenas o carro.

Um espaço público que é percebido como masculino ou hostil a grupos minoritários é, por definição, um espaço inseguro. Cidades planejadas com uma perspectiva de gênero buscam criar espaços que sejam percebidos como acolhedores por todos. Isso significa Parques e Praças com desenho de áreas de lazer que atendam a diversas necessidades (não apenas quadras de esportes masculinas), com banheiros públicos limpos e seguros, e mobiliário que incentive a permanência e a interação social diversificada.

Para isso, o processo de planejamento não pode ser feito apenas por técnicos. As experiências e o conhecimento das mulheres sobre o ideário de cidade, a insegurança e soluções vislumbradas devem ser coletados e integrados no desenho final do bairro ou da cidade.

Combater a violência de gênero através do planejamento urbano é reconhecer que a segurança é um produto do design, e não apenas da repressão. Cidades mais seguras para mulheres são, inevitavelmente, cidades melhores e mais vibrantes para todos.

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