
Um adolescente de 15 anos morreu após inalar desodorante aerossol, vítima de um desafio viral na internet. A tragédia, que chocou o Brasil, escancara uma realidade que muitos adultos teimam em ignorar: nossos jovens vivem imersos em um mundo digital que molda sonhos, desejos e, muitas vezes, comportamentos perigosos.
A série Adolescência, sucesso na Netflix, joga luz nessa crise ao retratar um garoto de 13 anos, Jamie Miller, acusado de matar uma colega de escola.
Inspirada em casos reais, a produção britânica não oferece respostas fáceis, mas expõe o impacto devastador das redes sociais, da misoginia online e da desconexão entre pais, escolas e jovens. O caso da adolescente brasileira ecoa o alerta da série: estamos realmente prestando atenção nos nossos jovens? Todos os dias, eles navegam por um universo de influenciadores tóxicos, como os da chamada “machosfera”, que vendem ideias misóginas disfarçadas de autoajuda.
Algoritmos amplificam conteúdos extremos, e desafios virais, como o que levou à morte no Brasil, se espalham sem controle. A série mostra Jamie, radicalizado por ideias online, incapaz de lidar com frustrações emocionais, um reflexo de adolescentes reais que, segundo estudos, enfrentam uma “limpeza sináptica” no cérebro, tornando-os mais impulsivos e sedentos por riscos.
No Brasil, casos como o ataque planejado por adolescentes no Rio Grande do Sul ou redes de ódio lideradas por jovens mostram que o problema não é só britânico.
Escolas, como na série, muitas vezes falham: professores desmotivados, bullying ignorado e uma educação que não acompanha a velocidade do mundo digital. Pais, perdidos, lutam para entender os códigos dos filhos, como emojis que escondem intenções perigosas. A resposta do governo britânico à Adolescência — exibir a série em escolas e debater redes sociais — é um passo, mas no Brasil, onde a tragédia do desodorante ainda reverbera, falta ação concreta. Proibir celulares nas escolas, como sugere o roteirista Jack Thorne, ou limitar redes sociais para menores de 16 anos, como na Austrália, pode ajudar, mas não basta.
É preciso ensinar os jovens a navegar esse mundo com senso crítico, enquanto pais e professores aprendem a ouvir e intervir. Adolescência não é só uma série, é um espelho. Mostra que a arte pode ensinar a vida, mas só se estivermos dispostos a olhar para o reflexo e agir antes que mais jovens se percam.
A fraude no INSS, que desviou R$ 6,3 bilhões de aposentados entre 2019 e 2024, é um golpe duro na credibilidade do governo Lula. Milhões de beneficiários sofreram descontos indevidos, feitos por associações que prometiam serviços como assistência jurídica ou descontos em academias, mas apenas sugavam recursos.
A operação “Sem Desconto”, deflagrada em 23 de abril de 2025, expôs a gravidade do esquema, com prisões, apreensões de bens de luxo e o afastamento de servidores, incluindo Alessandro Stefanutto, então presidente do INSS.
O governo agiu rápido, demitindo Stefanutto e suspendendo contratos com 11 entidades investigadas, mas o estrago já estava feito.
A confiança na gestão da previdência, pilar sensível para a base eleitoral de Lula, foi abalada. O esquema, que começou antes de 2023, continuou sob o atual governo, levantando dúvidas sobre a eficácia da fiscalização. Pior, a presença de Frei Chico, irmão de Lula, como vice-presidente do Sindnapi, uma entidade investigada, joga lenha na fogueira da oposição, mesmo sem provas de seu envolvimento direto.
A demissão de Stefanutto, ligado ao PDT, ainda pode gerar tensões na coalizão governista, enquanto a demora em identificar a fraude alimenta críticas de falha na governança. Para virar o jogo, o governo precisa ir além de medidas de contenção.
Auditorias regulares, transparência nos processos do INSS e proteção aos beneficiários são urgentes.
A forma como Lula lidar com as investigações e prevenir novos desvios será decisiva para recuperar a confiança pública e evitar que a crise contamine ainda mais sua gestão.






