

O endividamento das famílias brasileiras continua pressionando o orçamento doméstico e revela um cenário preocupante para a economia. Dados divulgados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostram que, em setembro de 2026, 81,7% das famílias do país tinham algum tipo de dívida, como cartão de crédito, empréstimos, financiamentos e carnês.
Apesar de o percentual ter apresentado uma pequena queda em relação a agosto, quando chegou a 82%, o indicador permanece em um dos níveis mais elevados desde o início da série histórica, em 2010.
O quadro é ainda mais preocupante quando analisados os dados do Banco Central. Segundo levantamento divulgado nesta quinta-feira (29), o endividamento das famílias alcançou 50,1% da renda acumulada em 12 meses em agosto, o maior percentual da série histórica.
Outro indicador que chama atenção é a inadimplência no crédito bancário. Em setembro, o percentual de pessoas físicas com pagamentos atrasados há mais de 90 dias nas operações de crédito livre chegou a 8,1%, novo recorde da série histórica. Os juros elevados também contribuem para agravar a situação: a taxa média das novas contratações de crédito para pessoas físicas alcançou 62,4% ao ano.
O cenário revela dificuldades para milhões de brasileiros manterem as contas em dia, especialmente diante do custo elevado do crédito e do peso das parcelas no orçamento doméstico. Embora a pesquisa da CNC tenha apontado uma pequena redução no percentual de famílias endividadas em setembro, os números do Banco Central mostram que o comprometimento da renda e a inadimplência bancária continuam em níveis preocupantes.






