OPINIÃO — A DIREITA BRASILEIRA PRECISA SER MAIOR QUE UM SOBRENOME!, POR OSCAR MARIANO

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Por Oscar Mariano

A direita brasileira precisa amadurecer politicamente e compreender uma verdade fundamental: nenhuma ideologia pode ficar refém de um homem, de uma família ou de um sobrenome. Lideranças são importantes, mas não são eternas, insubstituíveis ou donas absolutas da verdade.

É inegável a importância de Jair Bolsonaro na reorganização e no fortalecimento do pensamento conservador no Brasil. Ele deu visibilidade a uma parcela significativa da sociedade que, durante muito tempo, não se sentia representada politicamente. Entretanto, reconhecer sua importância histórica não significa transformar Bolsonaro, seus filhos ou qualquer outra liderança em proprietários da direita brasileira.

A direita não nasceu com Bolsonaro e não pode morrer politicamente sem ele.

Esse é justamente um dos erros que precisamos evitar ao observar a trajetória da esquerda brasileira. O Partido dos Trabalhadores construiu uma dependência tão profunda da figura de Lula que encontrou enormes dificuldades para apresentar uma liderança com a mesma capacidade de mobilização. Mesmo depois da prisão, da anulação de suas condenações e de seu retorno ao cenário eleitoral, Lula reassumiu o protagonismo de seu campo político.

É importante reconhecer que a anulação das condenações ocorreu por decisões judiciais, e não simplesmente porque alguém resolveu soltá-lo. Mas o resultado político é evidente: a força de Lula revelou também a dificuldade de renovação de lideranças dentro do PT.

Será que a direita brasileira deseja repetir esse mesmo modelo de dependência política?

Acredito que não deveria.

Uma direita verdadeiramente forte precisa estar sustentada em princípios, valores, propostas e compromissos com a sociedade. A defesa da família, da liberdade, da responsabilidade individual, da segurança jurídica, da livre iniciativa, da propriedade privada e do respeito às instituições não pode depender da autorização ou da aprovação de um único líder.

Também precisamos abandonar a perigosa ideia de que discordar de um Bolsonaro significa abandonar a direita. Isso não é maturidade política. É personalismo. E quando a fidelidade a uma pessoa passa a valer mais do que a coerência com os princípios, o movimento corre o risco de perder sua própria identidade.

A direita brasileira precisa formar novas lideranças, estimular o debate interno, respeitar divergências e compreender que ninguém possui o monopólio do conservadorismo, do patriotismo ou da verdade.

Não se trata de renegar Bolsonaro, apagar sua história ou desconsiderar sua contribuição. Trata-se de compreender que um projeto político sério precisa sobreviver aos seus fundadores, superar suas lideranças e alcançar novas gerações.

O Brasil não precisa de novos salvadores da pátria. Precisa de homens e mulheres preparados, comprometidos com o interesse público e suficientemente humildes para reconhecer que nenhum político está acima dos valores que afirma defender.

É hora de a direita olhar para o horizonte com esperança, coragem e independência. Sem abrir mão de suas convicções, mas também sem transformar a política em um exercício permanente de devoção a personalidades.

Porque uma direita que depende exclusivamente de um sobrenome pode até vencer eleições, mas terá dificuldades para construir um legado duradouro.

A direita precisa ter líderes, não donos. Precisa defender ideias, não ídolos. Precisa cultivar princípios, não dependências.

E, acima de tudo, precisa compreender que a verdadeira força de um movimento político não está na permanência de um homem no poder, mas na capacidade de seus valores continuarem vivos quando esse homem já não estiver à frente.

Bolsonaro faz parte da história da direita brasileira. Mas o futuro da direita não pode ser propriedade exclusiva dos Bolsonaro.

Essa reflexão não é um rompimento. É um convite ao amadurecimento.

Porque os homens passam, os mandatos terminam, os sobrenomes permanecem nos registros da história, mas os princípios precisam atravessar gerações.

Por Oscar Mariano

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Pedro Augusto
Pedro Augusto atuou como repórter dos jornais Extra de Pernambuco e Vanguarda, ambos de Caruaru, e dos portais NE10 e NE10Interior, do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação. Também já teve matérias publicadas em jornais de grande circulação como Folha de Pernambuco, Diario de Pernambuco e Jornal do Commercio, além dos portais Terra e R7. Foi ainda assessor de Comunicação da Prefeitura de Caruaru, de parlamentar na Câmara de Caruaru e do Clube Atlético do Porto.