ARTIGO — Síndrome do Sofá: o novo ativismo de poltrona, por Mateus Carvalho

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Em tempos de redes sociais, não é raro ver antigos protagonistas da cena política assumirem um novo papel: o de comentaristas oficiais da cidade. Curiosamente, muitos desses “influencers públicos” só descobriram os problemas locais depois que deixaram os cargos e os próprios problemas ficaram.

Esses personagens, agora distantes das responsabilidades que outrora ocuparam, adotaram o confortável hábito de criticar tudo… do sofá. São ágeis no post, rápidos no story e incansáveis na reclamação. Se no passado prometeram mudanças, hoje entregam apenas pseudos likes, comentários e uma boa dose de nostalgia seletiva.

E aí surge o diagnóstico popular: a tal “síndrome do sofá”. Nada médico, claro mas bem sintomático. Trata-se daquela postura em que a pessoa, mesmo tendo tido todas as chances de fazer diferente, prefere agora a crítica diária, como se nada tivesse a ver com o cenário que deixou.

O mais curioso é que, entre uma publicação e outra, quase sempre esquecem de mencionar que muitos dos problemas apontados são heranças da própria gestão. Mas tudo bem. A memória é curta e o feed é longo.

Enquanto isso, a cidade segue apesar das poltronas, das aposentadorias generosas e dos discursos reciclados e o amargor da derrota ainda saliva em seu mundo paralelo.

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Pedro Augusto
Pedro Augusto atuou como repórter dos jornais Extra de Pernambuco e Vanguarda, ambos de Caruaru, e dos portais NE10 e NE10Interior, do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação. Também já teve matérias publicadas em jornais de grande circulação como Folha de Pernambuco, Diario de Pernambuco e Jornal do Commercio, além dos portais Terra e R7. Foi ainda assessor de Comunicação da Prefeitura de Caruaru, de parlamentar na Câmara de Caruaru e do Clube Atlético do Porto.