Sem reeleição
Há, porém, sucessões que não se encaixam automaticamente nesse roteiro eleitoral. Nem todo novo ocupante do cargo deve, em princípio, disputar a reeleição, e em alguns Estados o quadro ainda está em definição. Em princípio, entre os 11 novos governadores, apenas Mailza Assis (PP), do Acre, e Roberto Cidade (União Brasil), do Amazonas, não pretendem concorrer em outubro.
Rio indefinido
O caso mais delicado é o do Rio de Janeiro. Sem vice-governador, o Estado não teve uma troca imediata nos moldes dos demais. A escolha do governador-tampão dependerá de decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o formato da eleição, que poderá ser direta ou indireta. Nesse cenário, o Rio continua como a principal indefinição entre as unidades federativas atingidas pela desincompatibilização.
PP ganha espaço
Além de reposicionar lideranças locais, a troca mexeu no mapa partidário dos governos estaduais. O PP foi o principal beneficiado e saiu com saldo positivo de dois governadores. O MDB também avançou: perdeu um posto, mas ganhou dois, terminando com saldo de mais um. O PSD trocou um por um e permaneceu estável. Já o PSB foi o mais atingido, com perda de dois governos, enquanto o Novo perdeu um. O novo desenho reforça o espaço de PP e MDB na máquina estadual e reduz o peso de siglas que já vinham tentando se firmar em Estados estratégicos.
Novos prefeitos
Nas capitais, a mudança também teve efeito imediato. Com a saída de 10 prefeitos para disputar governos estaduais, os vice-prefeitos herdaram o comando das administrações municipais e passaram a conduzir o fim do mandato em cidades-chave para a disputa regional. Assumiram Eduardo Cavaliere (PSD), na prefeitura do Rio de Janeiro; Cris Samorini (PP) em Vitória; Victor Marques (PCdoB) no Recife; Esmênia Miranda (PSD) em São Luís; Leo Bezerra (PSB) em João Pessoa; Renato Júnior (Avante) em Manaus; Pedro DaLua (União Brasil) em Macapá; Alyson Beste (PP) em Rio Branco; Marcelo Zeitone (PL) em Boa Vista; e Rodrigo Cunha em Maceió (Podemos).
Entre os novos prefeitos, um dos fatos mais simbólicos é a posse de Cris Samorini e Esmênia Miranda, as primeiras mulheres a assumirem as capitais do Espírito Santo e do Maranhão. Outro é a idade de Cavaliere, que, aos 31 anos, tornou-se o prefeito mais jovem da história do Rio.
Mudança partidária
A troca também alterou o peso dos partidos nas capitais. O PP foi novamente o principal vencedor, com ganho de duas prefeituras. PCdoB, União e Podemos avançaram uma cada. O PSB ficou no zero a zero, ao perder uma capital e ganhar outra. Do outro lado, PSDB, MDB, PSD e Republicanos registraram perdas, sendo a maior delas a do PSDB, que perdeu duas prefeituras. O resultado mostra que a desincompatibilização não produziu apenas candidaturas: ela mexeu no controle partidário de máquinas municipais importantes para a campanha nos Estados.
Nos dois níveis, o efeito político é parecido. Quem entra ganha visibilidade, amplia poder de articulação e passa a influenciar a formação de alianças, a condução da máquina pública e o desenho da sucessão. Em vários casos, esses novos governadores e prefeitos deixam de ser apenas substitutos e passam a atuar como protagonistas da eleição, ainda que nem todos venham a disputar diretamente as urnas em outubro.