Banco Master, o que sobra para o cidadão?, por Oscar Mariano

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O brasileiro já assistiu ao escândalo dos Anões do Orçamento, esquema dos Sanguessugas, Mensalão, à Operação Lava Jato, aos desvios revelados na Petrobras, aos inúmeros casos envolvendo emendas parlamentares, além de sucessivas denúncias que atingiram governos, partidos, empresas estatais e agentes públicos de diferentes correntes ideológicas. A cada nova crise, o discurso é o mesmo: rigor, transparência e punição exemplar. E, para muitos cidadãos, a sensação que permanece é a de que o sistema sempre encontra uma forma de proteger seus integrantes mais influentes.

O mais recente escândalo envolvendo o Banco Master deixou de ser apenas um caso de fraude financeira. O que está vindo à tona revela algo muito mais grave: a suspeita de que as estruturas mais poderosas da República foram, diretamente alcançadas por uma rede de influência que atravessa os corredores do Senado, da Câmara dos Deputados e até mesmo do Supremo Tribunal Federal.

As investigações da Polícia Federal apontam para um esquema bilionário que teria envolvido corrupção, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, manipulação financeira e tráfico de influência. O Banco Master foi liquidado após uma grave crise e seu controlador, Daniel Vorcaro, tornou-se o centro de uma das maiores investigações financeiras da história recente do país.

No Senado, parlamentares influentes passaram a ser alvo de buscas e investigações por supostos benefícios recebidos em troca de favorecimentos políticos. Na Câmara dos Deputados, surgiram movimentos para instalação de CPIs e cobranças por esclarecimentos sobre a atuação de agentes públicos ligados ao caso, mas até o momento nada foi realizado. Enquanto isso, no Supremo Tribunal Federal, notícias sobre vínculos e questionamentos sobre conflitos de interesse levaram até mesmo à substituição de relatoria em parte das investigações, ampliando a percepção pública de que o escândalo se espalhou por toda a estrutura institucional do país.

E o brasileiro? O brasileiro assiste a tudo isso com uma mistura de indignação e cansaço.

Já não há mais surpresa quando surgem denúncias envolvendo políticos, empresários e autoridades. A cada novo escândalo, cresce a sensação de que a corrupção não é uma exceção, mas um sistema que se reproduz independentemente de ideologia, partido ou instituição. O cidadão comum paga impostos cada vez mais altos, enfrenta serviços públicos precários e vê bilhões desaparecerem em esquemas que parecem nunca ter fim.

O mais preocupante talvez não seja o escândalo em si. É a anestesia coletiva que ele produz. Quando a população deixa de acreditar que existe justiça, quando passa a enxergar todos os Poderes como parte do mesmo problema, a democracia começa a perder sua principal sustentação: a confiança popular.

O caso Banco Master não é apenas uma investigação financeira. É um teste para as instituições brasileiras. Se as apurações forem até o fim, independentemente dos nomes envolvidos, o país poderá demonstrar que ninguém está acima da lei. Mas, se tudo terminar em acordos, prescrições, recursos intermináveis e impunidade, a mensagem para a sociedade será devastadora: a de que existe um Brasil para os poderosos e outro para quem apenas trabalha, paga impostos e espera por justiça.

Porque, no final das contas, o maior patrimônio de uma nação não é um banco, um governo ou um tribunal. É a confiança do seu povo. E essa, infelizmente, parece estar cada vez mais próxima da falência.

Oscar Mariano
Analista Político

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Pedro Augusto
Pedro Augusto atuou como repórter dos jornais Extra de Pernambuco e Vanguarda, ambos de Caruaru, e dos portais NE10 e NE10Interior, do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação. Também já teve matérias publicadas em jornais de grande circulação como Folha de Pernambuco, Diario de Pernambuco e Jornal do Commercio, além dos portais Terra e R7. Foi ainda assessor de Comunicação da Prefeitura de Caruaru, de parlamentar na Câmara de Caruaru e do Clube Atlético do Porto.