
Na política, existe um velho ditado: quando faltam argumentos, sobra espetáculo. Num passado não tão distante, parecia que o mais novo capítulo da pré-campanha em Pernambuco foi transformar a bandeira do Estado na grande vilã da história.
Segundo João Campos, a governadora Raquel Lyra não deveria aparecer com a bandeira de Pernambuco em eventos e vídeos oficiais. Curioso. Muito curioso.
A pergunta é inevitável: a bandeira virou problema agora ou só passou a incomodar porque quem a segura hoje é Raquel Lyra?
A memória, essa inimiga da hipocrisia, não costuma falhar. No lançamento da própria candidatura ao Governo do Estado, João Campos surgiu vestindo uma camisa branca com a bandeira de Pernambuco bordada no peito. Em outras ocasiões, o símbolo também apareceu em seus vídeos e peças de comunicação. Naquele momento, a bandeira parecia representar orgulho, identidade e amor por Pernambuco. Agora, pelo visto, ela virou objeto de indignação seletiva.
A diferença que talvez tenha escapado aos marqueteiros é bastante simples: Raquel Lyra é a governadora do Estado. Foi eleita para representar Pernambuco e exerce, por força do cargo, a representação institucional do Estado. Utilizar a bandeira em agendas oficiais não é um privilégio pessoal, nem uma inovação política; é algo compatível com a função exercida e amplamente observado por chefes do Executivo em todo o país.
O curioso é assistir a uma oposição que, diante de tantos temas relevantes para os pernambucanos, decide declarar guerra… a um pedaço de tecido que simboliza todos os cidadãos do Estado.
É uma estratégia curiosa. Em vez de confrontar resultados, obras, indicadores e políticas públicas, tenta-se criar uma crise onde existe apenas um símbolo oficial sendo utilizado por quem, institucionalmente, representa Pernambuco.
Talvez o verdadeiro incômodo não seja a bandeira. Talvez seja a imagem que ela transmite quando aparece ao lado de uma governadora em exercício, inaugurando obras, entregando equipamentos e ocupando o espaço institucional que hoje lhe pertence.
No fim, fica uma lição que a política insiste em repetir: coerência nunca foi o ponto forte de quem muda de opinião conforme muda o personagem da fotografia.
Porque, convenhamos, se a bandeira de Pernambuco bordada no peito servia para impulsionar uma candidatura, fica difícil convencer a população de que ela se transforma em escândalo quando aparece nas mãos da governadora do Estado.
Afinal, a bandeira continua sendo a mesma. O que mudou foi apenas quem aparece ao lado dela.
Oscar Mariano





