
No dia em que celebramos a criação dos cursos jurídicos no Brasil e o papel fundamental da advocacia, o calendário nos convida a algo mais profundo do que as homenagens de praxe. A data exige uma reflexão de rota: de onde viemos, onde estamos e, principalmente, para onde estamos caminhando?
O passado já cuidou de consolidar a advocacia como uma engrenagem indispensável para a vida civil. Viver em sociedade é, por definição, viver sob o peso de códigos, normas e estatutos. Historicamente, foram o advogado e a advogada que assumiram o papel de tradutores e fiadores dessa teia complexa. É através dessa profissão que a sociedade compreende seus limites, defende seus direitos e aprende a conviver pacificamente diante das complexidades humanas, provando que onde há civilização, há, obrigatoriamente, um advogado e uma advogada.
O presente, por sua vez, não tem mais cheiro de papel ou barulho de máquina de escrever. A sociedade digitalizou-se, e a Justiça foi atropelada por essa realidade. Hoje, os processos correm nas nuvens, as audiências acontecem em telas e a comunicação é instantânea. Ser advogado e advogada nos dias atuais é aceitar o inevitável convite à hiperconectividade, pois o profissional moderno entende que o domínio tecnológico deixou de ser um diferencial para se tornar um pré-requisito de sobrevivência.
E quando olhamos para o futuro, o horizonte tem nome: Inteligência Artificial. A IA será uma ferramenta imprescindível, rápida, implacável e absolutamente necessária na rotina dos escritórios, assumindo o trabalho de fazer pesquisas, cruzar dados e redigir peças.
Contudo, há uma fronteira que nenhum algoritmo jamais conseguirá cruzar. O que não pode ser automatizado é o olhar humano, pois a máquina não tem faro, não tem senso de justiça e, sobretudo, não tem empatia. No fim das contas, a tecnologia peticiona, mas não entende o desespero dos oprimidos.
Ser advogado e advogada, na sua essência mais pura, é enxugar lágrimas e limpar as feridas da alma. É ter a coragem de transmutar o que é ruim em algo bom. É ajudar a carregar os fardos daqueles que batem à sua porta sem esperança, tornando o jugo dos aflitos mais leve e suave. É, acima de tudo, abraçar os cansados e sobrecarregados, garantindo a eles que, perante a Justiça, finalmente encontrarão descanso, voz e alívio.
João Américo Rodrigues de Freitas
Advogado.





