OPINIÃO — João Campos tentar esconder o passado que ajudou a construir, por Oscar Mariano

Foto: Divulgação
PUBLICIDADE
Publicidade

Parece que, em política, quando o passado ajuda, ele vira legado. Quando começa a pesar, vira uma fotografia que ninguém quer colocar no álbum. E isso ficou claro no debate que ocorreu na última sexta, João Campos não mencionou e se esquivou quando foi mencionado o nome de Paulo Câmara.

Mas a história de João Campos está profundamente ligada ao PSB de Pernambuco. Antes mesmo de disputar sua primeira eleição, ele já era secretário de Organização Estadual do PSB e, em 2016, assumiu a chefia de gabinete do então governador Paulo Câmara. Mais tarde, foi eleito deputado federal pelo PSB e chegou a atuar como vice-líder do partido na Câmara. Não é uma ligação circunstancial. É parte documentada de sua trajetória política.

E é justamente por isso que chama atenção qualquer tentativa política de apresentar João como se tivesse surgido desconectado do ciclo anterior do PSB em Pernambuco. Porque os oito anos do governo Paulo Câmara deixaram problemas que não podem simplesmente desaparecer da memória dos pernambucanos.

Na segurança, Pernambuco viveu em 2017 um dos momentos mais dramáticos daquele período: foram 5.427 homicídios, segundo levantamento publicado pela Folha, enquanto estudos posteriores apontaram que o Pacto pela Vida, tão bem-sucedido entre 2007 e 2014, deixou de apresentar a mesma eficácia a partir daquele momento.

Na economia, o desemprego também atingiu números duríssimos. Em 2021, Pernambuco registrou taxa média anual de desocupação de 19,9%, a maior entre todos os estados brasileiros naquele levantamento do IBGE. O próprio Paulo Câmara reconheceu, ao fazer o balanço de sua administração, que o desemprego havia ultrapassado 20% em determinado momento e que os investimentos estaduais ficaram aquém do necessário.

É justo registrar que parte desse cenário ocorreu durante a pandemia e em meio a crises econômicas nacionais, mas os números fazem parte do balanço daquele governo. E havia ainda o enorme passivo das obras. Em levantamento divulgado em 2021, o Tribunal de Contas de Pernambuco identificou 1.754 empreendimentos paralisados ou com fortes indícios de paralisação, envolvendo R$ 8,68 bilhões em contratos, considerando obras de responsabilidade estadual e municipal.

Nas estradas, a Pesquisa CNT de 2022 apontou problemas em 66,4% da malha rodoviária pavimentada avaliada em Pernambuco. Apenas 33,6% foi considerada boa ou ótima.
Esse é o ponto: João Campos tem todo o direito de apresentar novas propostas, reconhecer erros do passado e dizer que pretende fazer diferente. O que não parece razoável é querer colher apenas os bônus da história do PSB e deixar os ônus esquecidos no passado.

João não é responsável pessoalmente por todos os problemas dos oito anos de Paulo Câmara. Seria injusto afirmar isso. Mas também não é um estranho naquela história. Participou da campanha que elegeu Paulo Câmara, ocupou cargo estratégico no PSB e foi chefe de gabinete do próprio governador.

Por isso, antes de falar em “novo”, talvez seja necessário responder pelo projeto político do qual sempre fez parte. Porque mudar a fotografia da campanha é fácil. Difícil é apagar a história. E o povo pernambucano tem memória.

Por Oscar Mariano

PUBLICIDADE
Publicidade
Pedro Augusto
Pedro Augusto atuou como repórter dos jornais Extra de Pernambuco e Vanguarda, ambos de Caruaru, e dos portais NE10 e NE10Interior, do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação. Também já teve matérias publicadas em jornais de grande circulação como Folha de Pernambuco, Diario de Pernambuco e Jornal do Commercio, além dos portais Terra e R7. Foi ainda assessor de Comunicação da Prefeitura de Caruaru, de parlamentar na Câmara de Caruaru e do Clube Atlético do Porto.