OPINIÃO — Título de Cidadão ou Título de Cabo Eleitoral?, por Oscar Mariano

Foto: Francisco Silva/DP Foto
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O título de cidadão honorário é uma das maiores honrarias que um município pode conceder. Em tese, serve para reconhecer pessoas que prestaram serviços relevantes à cidade, deixando um legado concreto para sua população. É uma homenagem séria, que deveria ser reservada para quem efetivamente contribuiu para o desenvolvimento local.

Mas, em ano eleitoral, parece que algumas câmaras municipais descobriram uma nova função para a honraria: transformá-la em ferramenta de marketing político.

De repente, surge uma verdadeira epidemia de títulos de cidadão para pré-candidatos. O que antes era uma exceção vira rotina. O que deveria ser reconhecimento institucional passa a se confundir com ato de campanha antecipada.

O caso do ex-prefeito João Campos é emblemático. Cotado como candidato ao Governo de Pernambuco em 2026, o ex-prefeito do Recife vem acumulando títulos de cidadão em diversas cidades. Recebeu homenagens em municípios como Angelim, Garanhuns, São Bento do Una, Petrolândia e Jaboatão dos Guararapes, além de articulações para novas homenagens em Olinda. Em muitos casos, as iniciativas partiram justamente de vereadores e lideranças políticas alinhadas ao seu projeto eleitoral.

A pergunta que fica é simples: essas cidades estão homenageando um cidadão pelos serviços prestados ou estão ajudando a construir uma candidatura?

Porque convenhamos: se cada município onde um político pretende disputar votos resolver transformá-lo em “filho da terra”, daqui a pouco ele terá mais certidões de nascimento do que propostas para apresentar.

É curioso observar que muitos desses títulos surgem justamente quando o nome do homenageado caiu nas pesquisas e se movimenta pelo interior em pré-campanha. Coincidência? Nenhuma. Digamos que seja coincidência, está ocorrendo com uma frequência impressionante.

No fim das contas, quem perde é a própria honraria. O título de cidadão deixa de ser um reconhecimento extraordinário para se tornar um gesto protocolar de alinhamento político. E quando toda cidade vira palco de homenagens para quem busca votos, a população tem o direito de desconfiar se está assistindo a uma solenidade institucional ou a um comício disfarçado.

Afinal, cidadão honorário se faz com serviços prestados. Cabo eleitoral honorário se faz com aplausos, discursos e conveniências políticas. A diferença entre uma coisa e outra deveria ser muito clara. Mas, em período eleitoral, parece que alguns preferem deixar essa fronteira convenientemente borrada ou platinada.

Oscar Mariano
Analista Político

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Pedro Augusto
Pedro Augusto atuou como repórter dos jornais Extra de Pernambuco e Vanguarda, ambos de Caruaru, e dos portais NE10 e NE10Interior, do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação. Também já teve matérias publicadas em jornais de grande circulação como Folha de Pernambuco, Diario de Pernambuco e Jornal do Commercio, além dos portais Terra e R7. Foi ainda assessor de Comunicação da Prefeitura de Caruaru, de parlamentar na Câmara de Caruaru e do Clube Atlético do Porto.