
As eleições de 2026 precisam ser, acima de tudo, um exercício de responsabilidade. Mais do que escolher um nome por simpatia, tradição partidária ou por discursos emocionais, o eleitor brasileiro precisa olhar para a realidade do país e avaliar aquilo que está sendo entregue, aquilo que está sendo prometido e, principalmente, se as propostas apresentadas são capazes de enfrentar os problemas que o Brasil ainda precisa resolver.
Os números mostram um cenário que exige atenção. O IBGE registra desemprego de 6,1% no primeiro trimestre de 2026, inflação acumulada em 12 meses de 4,64% até junho e crescimento do PIB de 2% no acumulado de quatro trimestres. São indicadores que não autorizam nem o pessimismo absoluto nem a euforia propagandística: mostram um país que avançou em algumas áreas, mas que ainda convive com desafios importantes.
E é justamente por isso que o eleitor precisa fugir das narrativas fáceis.
Não podemos transformar eleição em torcida. Não podemos aceitar que promessas sejam apresentadas como se recursos públicos fossem infinitos ou como se todos os problemas pudessem ser resolvidos apenas com frases de efeito.
É preciso perguntar: quanto vai custar? De onde virá o dinheiro? Qual será o impacto para as famílias? Como serão enfrentados o déficit, a dívida pública, os juros, a segurança, a saúde e a educação?
Esse debate é ainda mais necessário porque, na campanha de 2026, análises econômicas apontam que diferentes candidatos apresentam promessas sem detalhar suficientemente como pretendem financiá-las. O equilíbrio das contas públicas deverá ser um dos grandes desafios do próximo governo.
Também precisamos ter memória.
Um dos principais candidatos à Presidência construiu sua trajetória eleitoral com discursos que, desde 2002, apresentam a promessa de mudança, esperança, crescimento, inclusão social e um país melhor. O programa de governo apresentado naquele ano já colocava crescimento, emprego, inclusão social, estabilidade e redução da vulnerabilidade econômica entre suas principais bandeiras.
Mais de duas décadas depois, algumas dessas mesmas ideias continuam presentes no discurso político. E a pergunta que o eleitor deve fazer não é se a promessa é bonita. É se, depois de tantos anos, ela continua sendo suficiente diante dos problemas que o Brasil enfrenta hoje.
Em 2026, não basta ouvir o que um candidato promete. É necessário analisar o que ele fez, quais resultados apresentou, quais problemas permanecem e quais são os caminhos concretos que propõe para o futuro.
Votar com responsabilidade não significa votar contra alguém. Significa votar a favor da realidade.
Significa comparar propostas, analisar números, cobrar coerência, questionar promessas e não permitir que a emoção substitua a razão.
O Brasil não precisa de ilusões eleitorais. Precisa de planejamento, responsabilidade, equilíbrio fiscal, crescimento sustentável, segurança, oportunidades e serviços públicos que funcionem.
A democracia nos dá o direito de escolher. E a realidade nos impõe o dever de escolher com consciência.
Em 2026, que o voto seja menos sobre aquilo que queremos ouvir e mais sobre aquilo que o Brasil realmente precisa.
Oscar Mariano





