
Lula voltou a falar em acabar com a fome no Brasil. E aqui cabe uma pergunta incômoda: há quanto tempo estamos ouvindo essa mesma promessa? Em 2003, ao assumir a Presidência, Lula afirmou: “Se, ao final do meu mandato, cada brasileiro puder se alimentar três vezes ao dia, eu terei cumprido a missão da minha vida.”
Pois bem. A missão, pelo visto, ganhou prorrogação de mandato.
Porque Lula já passou pela Presidência por três mandatos e; sem contar os mandatos de Dilma Rosselff, quase quatro décadas depois de começar a usar o combate à fome como uma das principais bandeiras de sua trajetória política, continua apresentando o fim da fome como promessa eleitoral.
Porém, precisamos reconhecer avanços na redução da pobreza e da insegurança alimentar não significa dar ao governo um cheque em branco. Combater a fome é obrigação de qualquer governo sério. O que precisa ser questionado é transformar um problema social gravíssimo em promessa eleitoral que reaparece de tempos em tempos, como se o eleitor tivesse memória curta.
A ironia é que a frase de 2003 estabelecia um prazo bastante claro: “ao final do meu mandato”. Só esqueceram de explicar qual mandato.
Um país realmente desenvolvido não deveria comemorar apenas o aumento do número de pessoas que recebem auxílio. Deveria comemorar o aumento do número de brasileiros que conseguem viver com dignidade graças ao próprio trabalho, com emprego, renda, educação e oportunidades. Se depois de tantos anos o mesmo político continua prometendo aquilo que já prometeu inúmeras vezes, o eleitor precisa perguntar: o que faltou? O que deu errado? Por que a promessa nunca se transforma em solução definitiva?
Porque se a missão da vida era garantir que cada brasileiro pudesse fazer três refeições por dia, depois de tantos anos de poder, a pergunta é inevitável: Estamos diante de uma missão cumprida, de uma missão inacabada ou de uma promessa que simplesmente descobriu como se perpetuar nas urnas?
O combate à fome precisa ser permanente, mas a promessa de acabar com ela não pode ser eterna.
Oscar Mariano





