
Pedro Augusto/Blog Capital
Com risco de não renovar o mandato na Câmara Federal, Fernando Rodolfo (PRD) parece estar em busca de uma identidade eleitoral que lhe garanta espaço nas eleições de 2026. O detalhe é que, oficialmente, o deputado não está no palanque de Raquel Lyra na disputa pelo Governo de Pernambuco: sua federação está alinhada à candidatura de João Campos. Mesmo assim, Rodolfo vem tentando associar sua imagem à atual governadora e candidata à reeleição.
A estratégia, no entanto, acabou esbarrando na Justiça Eleitoral. Uma decisão liminar do TRE-PE determinou a retirada de materiais e publicações que aproximavam visualmente o número 2555, de Fernando Rodolfo, do 55, utilizado por Raquel Lyra. Para a Justiça, a forma como a propaganda foi apresentada poderia levar o eleitor a interpretar que existia uma vinculação política ou partidária formal entre as candidaturas.
O episódio deixa uma situação, no mínimo, curiosa: no papel, Rodolfo está com João Campos; na comunicação eleitoral, tenta aparecer ao lado de Raquel Lyra. É uma espécie de equilíbrio político que exige cuidado para não acabar confundindo justamente quem precisa ser convencido a votar no candidato. A defesa afirma que o apoio a Raquel é antigo e legítimo, mas a liminar mostra que a maneira de apresentar esse apoio também pode gerar consequências.
E a pergunta que fica é inevitável: Rodolfo está construindo uma estratégia própria ou tentando caber em todos os palanques possíveis? Em uma eleição proporcional cada vez mais disputada, não basta aparecer ao lado de nomes fortes. É preciso transformar proximidade, fotografias e associações políticas em voto. A decisão ainda estabeleceu multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento.
Fernando Rodolfo não está inelegível por causa da decisão, mas o episódio acende uma luz amarela sobre uma candidatura que precisa mostrar força para garantir a permanência em Brasília. No fim das contas, o eleitor terá que responder à pergunta que nenhuma montagem de imagem consegue resolver: entre tantos candidatos, por que votar novamente no 2555?





