
Pedro Augusto/Blog Capital
A operação de combate ao tráfico de fauna silvestre realizada pelo Ibama em Caruaru teve continuidade neste domingo (6), desta vez na Feira da Boa Vista, outro ponto tradicional de comércio ilegal de animais na cidade. Após a grande ofensiva realizada no sábado (5) na Feira de Caruaru, os números da fiscalização já impressionam: 518 animais apreendidos e 31 pessoas conduzidas à delegacia, sendo que 9 permanecem presas, conforme o balanço divulgado até o momento.
Somente neste domingo, quatro pessoas foram detidas e oito animais apreendidos: quatro papa-capins, um golado (golinho), um canário-da-terra e dois tizius. No sábado, a operação havia resultado na apreensão de 510 aves e na aplicação de multas que somam aproximadamente R$ 1 milhão, além da condução de 27 pessoas à delegacia.
Entre as espécies resgatadas estão papagaios, galos-de-campina, azulões, canários-da-terra, sofrês, trinca-ferros, caboclinhos, tico-ticos, cravinas, papa-capins, pássaros-pretos, patativas, tizius e periquitos-da-caatinga. Parte dos animais foi encontrada em condições consideradas cruéis, sem água, alimentação adequada e, em alguns casos, apresentando ferimentos pelo corpo.
A dimensão da operação também revela que o tráfico não se limita às gaiolas expostas nas feiras. Segundo o Ibama, os animais de maior valor costumam ser negociados por meio de grupos em aplicativos de mensagens e mantidos em depósitos até que apareça um comprador. Para atingir essa estrutura, o órgão mobilizou 87 agentes ambientais federais, que atuaram simultaneamente em pontos de venda, transporte, depósitos e também no monitoramento de negociações realizadas no ambiente virtual.
Depois da apreensão, começa outra etapa igualmente importante: a avaliação individual dos animais. Alguns poderão ser encaminhados diretamente para soltura, enquanto os mais debilitados deverão passar por atendimento veterinário e processo de reabilitação antes de receberem a destinação adequada.
Com a ação deste domingo na Feira da Boa Vista, o Ibama amplia o cerco à cadeia de comércio ilegal de animais silvestres em Caruaru. Os números, que já ultrapassam meio milhar de animais retirados das mãos de traficantes, expõem a dimensão de um mercado clandestino que vai muito além do que aparece nas bancas das feiras.
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