Exposição solar sem proteção pode acelerar o aparecimento da catarata

O sol, essencial para a saúde e o bem-estar, também pode se tornar um vilão silencioso para os olhos. A radiação ultravioleta, quando absorvida ao longo de anos sem a devida proteção, está diretamente relacionada ao surgimento precoce da catarata. A prevenção, segundo especialistas, passa por cuidados simples: usar óculos de sol com proteção UV, chapéus de aba larga e manter uma alimentação rica em antioxidantes.

De acordo com o oftalmologista Dr. Victor Moura, do Hospital Santa Luzia, o processo é lento e cumulativo. “A exposição prolongada ao sol pode, sim, acelerar o aparecimento da catarata. A radiação ultravioleta tem energia suficiente para causar danos oxidativos às proteínas do cristalino, que, ao longo do tempo, se agrupam e formam áreas turvas, como se fosse um vidro embaçado”, explica o especialista.

Quem corre mais risco?

Segundo o médico, pessoas que trabalham ao ar livre, como agricultores, pescadores, pedreiros e carteiros, além de atletas que praticam esportes sob o sol, apresentam maior risco de desenvolver a doença precocemente.

“Esses grupos recebem doses maiores e mais frequentes de radiação UV ao longo da vida. O uso diário de óculos com proteção contra raios UVA e UVB é fundamental, mas não basta. O ideal é combinar o acessório com chapéus de aba larga e evitar a exposição direta entre 10h e 16h”, reforça o médico.

Um alerta importante diz respeito à qualidade dos óculos. Modelos escuros sem proteção UV real podem ser prejudiciais, pois dilatam a pupila e permitem a entrada ainda maior da radiação nociva.

Assim como ocorre com os cuidados com a pele, a intensidade dos raios UV também varia ao longo do dia. “O risco é maior entre 10h e 16h, período em que o sol está mais alto e a radiação atinge a superfície de forma mais intensa. O pico costuma ocorrer por volta do meio-dia”, afirma o oftalmologista. Vale lembrar que dias nublados não eliminam o perigo, a radiação ultravioleta atravessa as nuvens e continua impactando os olhos.

A luz azul das telas também prejudica?

Muitas pessoas associam a luz azul emitida por celulares, tablets e computadores ao risco de catarata, mas, segundo o especialista, isso não passa de um mito. “A catarata está ligada principalmente à oxidação das proteínas do cristalino, acelerada pela radiação ultravioleta, tabagismo, diabetes, uso prolongado de corticoides e fatores genéticos. Até agora, não há evidência científica de que a luz azul das telas cause catarata. A intensidade dessa luz é muito baixa comparada à natural do sol”, esclarece Moura.

Hábitos para proteger os olhos

Proteger os olhos do sol é mais simples do que parece. O primeiro passo é investir em óculos de sol de qualidade, com certificação de 100% de bloqueio contra os raios UVA e UVB. Armações maiores e que envolvem as laterais oferecem ainda mais segurança, impedindo que a radiação alcance o cristalino por ângulos diferentes. A proteção pode ser reforçada com o uso de chapéus ou bonés de aba larga, que funcionam como aliados no bloqueio da luz direta.

Outro ponto fundamental é a atenção ao horário. Entre 10h e 16h, quando o sol está mais alto e a radiação ultravioleta atinge seu pico, a exposição deve ser evitada sempre que possível. Vale lembrar que mesmo em dias nublados a proteção contínua é necessária, já que os raios UV atravessam as nuvens. Em ambientes que refletem a luz, como praias, rios, areia ou neve, o cuidado precisa ser redobrado, pois a radiação recebida pode praticamente dobrar.

As crianças também merecem atenção especial: como o cristalino infantil é mais sensível, é recomendável estimular desde cedo o uso de óculos escuros com proteção adequada. Além disso, a saúde ocular pode ser fortalecida de dentro para fora. Uma alimentação rica em antioxidantes, presente em vegetais verde-escuros, cenoura, abóbora, frutas cítricas e peixes, ajuda a combater os danos oxidativos que aceleram o envelhecimento do cristalino.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a catarata é responsável por mais da metade dos casos de cegueira reversível no mundo. Embora o envelhecimento seja a principal causa, a exposição crônica à radiação ultravioleta acelera significativamente esse processo. “A prevenção é simples e acessível: óculos de qualidade, proteção física e cuidados com os horários de exposição. Essas atitudes, incorporadas no dia a dia, podem preservar a visão por muitos anos”, conclui o Dr. Victor Moura.

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *