Governo rebate denúncia de espionagem e descarta irregularidade em ação policial

A denúncia de que a Polícia Civil de Pernambuco teria espionado o secretário de Articulação do Recife, Gustavo Monteiro, provocou reação imediata do Governo do Estado. Após a exibição de reportagem no Domingo Espetacular, da TV Record, no domingo (25), a Secretaria de Defesa Social (SDS-PE) negou qualquer prática ilegal e afirmou que a atuação da corporação se limitou a uma verificação preliminar a partir de denúncia anônima, posteriormente arquivada.

Segundo a SDS, a denúncia recebida apontava para a suspeita de pagamento irregular ligado a um contrato público, com possível encontro envolvendo um veículo oficial da Prefeitura do Recife em um centro comercial da capital. Diante da ausência de elementos que justificassem a abertura formal de inquérito, foi instituído um grupo de trabalho para checar a procedência das informações, procedimento classificado como padrão na área de Inteligência policial.

As diligências teriam ocorrido entre agosto e outubro de 2025 e não identificaram qualquer indício de crime. Ao fim do período, o procedimento foi encerrado sem desdobramentos. De acordo com o governo estadual, participaram da apuração dez policiais, entre delegados e agentes, e não houve confirmação de encontros, repasses financeiros ou condutas ilícitas relacionadas ao veículo citado na denúncia.

A Secretaria de Defesa Social sustenta que a apuração não caracterizou espionagem, nem teve como objetivo monitorar autoridades públicas. O governo afirma que checagens preliminares são utilizadas justamente para evitar a instauração indevida de inquéritos, especialmente quando a origem da informação é anônima.

Além de rebater a acusação, a SDS anunciou a abertura de um inquérito policial para investigar o vazamento de informações internas do grupo de trabalho. A suspeita é de que dados sigilosos tenham sido repassados à imprensa de forma irregular.

Entre as linhas de apuração, está a atuação de um policial que integrava o grupo e que foi afastado da área de Inteligência após ser flagrado, em novembro, em encontro com o então presidente da Câmara de Vereadores de Ipojuca, Flávio do Cartório (PSD). O parlamentar foi preso em investigação sobre desvio de recursos públicos. A presença do policial na reunião levantou suspeitas e pode explicar o acesso às informações que vieram a público.

O Estado informou que esse agente foi retirado da função, ouvido pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e colocado à disposição do setor de recursos humanos. Com a instauração do novo inquérito, a SDS pretende apurar se houve quebra de sigilo funcional e responsabilizar eventuais envolvidos.

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