A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda já começa a produzir efeitos práticos para milhões de brasileiros. Desde janeiro de 2026, trabalhadores que recebem até R$ 5 mil por mês deixaram de sofrer desconto do IR na fonte, mudança que já pode ser percebida nos contracheques pagos neste início de ano.
A nova tabela do Imposto de Renda Pessoa Física também reduziu a carga tributária para quem ganha acima desse valor. Contribuintes com renda mensal de até R$ 7.350 passaram a ter diminuição gradual do imposto descontado, enquanto salários superiores continuam sujeitos à tabela progressiva, com alíquotas que chegam a 27,5%.
De acordo com o Ministério da Fazenda, a medida deve beneficiar cerca de 16 milhões de pessoas, incluindo trabalhadores do setor privado, servidores públicos, aposentados e pensionistas do INSS e de regimes próprios. A isenção vale ainda para o pagamento do 13º salário, desde que a renda mensal bruta fique dentro do limite estabelecido.
Ao mesmo tempo, a nova legislação criou uma tributação mínima para rendas mais elevadas. Quem recebe acima de R$ 50 mil por mês, o equivalente a R$ 600 mil por ano, passa a pagar uma alíquota progressiva que pode chegar a 10%. Para contribuintes com rendimentos superiores a R$ 1,2 milhão por ano, a lei estabelece uma alíquota mínima efetiva de 10%. Segundo o governo, cerca de 141 mil pessoas serão alcançadas por essa regra.
Apesar do alívio imediato no desconto mensal, as mudanças só aparecerão na declaração anual do Imposto de Renda em 2027, quando serão informados os rendimentos de 2026. Na declaração a ser entregue em 2026, referente ao ano-base 2025, não há qualquer alteração.
O Ministério da Fazenda informou que as principais deduções permanecem as mesmas, como os valores por dependente, o desconto simplificado e os limites para despesas com educação. A pasta também alerta que a isenção do imposto mensal não elimina automaticamente a obrigação de declarar. Rendimentos isentos, aplicações financeiras, bens e a existência de mais de uma fonte de renda podem exigir a entrega da declaração e eventual ajuste de imposto.
Para evitar problemas, a orientação é que os contribuintes confiram com atenção os informes de rendimentos fornecidos pelas empresas e utilizem a declaração pré-preenchida disponibilizada pela Receita Federal.