A Câmara de Vereadores do Recife retomou os trabalhos legislativos de 2026, nesta segunda-feira (2), em um ambiente de forte tensão política, agravado pela ausência do prefeito João Campos (PSB) e pela análise de um pedido de impeachment protocolado contra o gestor. De forma até então inédita em relação ao seu no mandato, o prefeito não compareceu à sessão de abertura do ano legislativo, decisão que intensificou as críticas da oposição.
João Campos foi representado pelo secretário de Planejamento e Gestão, Jorge Vieira, que leu em plenário a mensagem do Executivo com o balanço da gestão de 2025. O texto destacou ações em áreas como saúde, educação, mobilidade e transformação digital, mas não foi suficiente para conter os questionamentos dos vereadores oposicionistas.
O clima político na Casa é marcado pela tramitação de um pedido de impeachment, apresentado pelo vereador Eduardo Moura (Novo), que já começa a ser analisado pela Mesa Diretora. Para a oposição, a ausência do prefeito em um momento de retomada dos trabalhos e de questionamentos institucionais reforça a necessidade de aprofundar o debate e a fiscalização sobre a atuação do Executivo.
O líder da oposição, Felipe Alecrim (Novo), afirmou que a Câmara não pode se omitir diante de denúncias e que cabe ao Legislativo analisar com seriedade o pedido de impeachment. Segundo ele, o prefeito deveria estar presente para prestar esclarecimentos diretamente aos vereadores e à população.
Em resposta, o líder do governo, Samuel Salazar (MDB), defendeu a gestão municipal e afirmou que a prefeitura mantém compromisso com a transparência e com a legalidade. Ele destacou que o pedido de impeachment será enfrentado dentro das regras institucionais e que a administração não teme apurações.
João Campos justificou a ausência informando que cumpria agenda em Brasília em busca de investimentos para a capital. Ainda assim, a decisão de não comparecer à sessão foi interpretada por adversários como um gesto político que amplia o desgaste do prefeito justamente no momento em que a Câmara inicia a análise de um processo que pode definir os rumos da relação entre Executivo e Legislativo ao longo de 2026.