OPINIÃO — ESSA ROUPA NÃO VAI VESTIR

Foto: ALFEU TAVARES/FOLHAPE

 

 

A estratégia de formação da chapa oposicionista está clara: nacionalizar a eleição e imputar a Raquel a imagem de bolsonarista. Não vai colar.

Durante entrevista a uma emissora de Caruaru, o deputado estadual João Paulo jogou um balde de água fria nessa estratégia. Não só defendeu a gestão Raquel, com elogios à equipe e às entregas, como também discordou veementemente de que a governadora tenha qualquer aproximação com o bolsonarismo. Essas declarações mostram que a tentativa não deve avançar nem mesmo dentro da própria chapa.

Uma divisão, já esperada, entre membros do Partido dos Trabalhadores deve esfriar qualquer jogada eleitoral nesse sentido. Se prefeitos petistas, ou até deputados como João Paulo, não pedirem votos de forma declarada para Raquel, podem fazê-lo de maneira silenciosa, evidenciando o desconforto de estarem na chapa oposta. Isso, por si só, enfraquece qualquer narrativa construída nessa linhade nacionalização eleitoral.

Também pesa o vínculo de Raquel com a esquerda pernambucana. Seu pai já integrou o próprio PT, passou por outros partidos que deram sustentação à esquerda de Miguel Arraes e foi vice-governador ao lado de Eduardo Campos. Raquel acompanhou os passos do pai no início da vida pública e só migrou para um partido de centro, o PSDB, por necessidade eleitoral, trajetória amplamente conhecida em todo o estado.

O pré-candidato ao governo de Pernambuco, João Campos, tem feito reiteradas declarações que não dialogam com a própria história da política pernambucana. Se seguir por esse caminho, indica uma estratégia eleitoral frágil e que pode caminhar para repetir o desfecho da prima em 2022.

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