Pernambuco tem atrativos que muitos países invejariam: litoral belíssimo, cidades históricas, o microclima de serra, a melhor festa de São João, o maior teatro ao ar livre do mundo (o palco do Espetáculo da Paixão de Cristo) e o segundo maior tesouro arqueológico do Brasil, no Vale do Catimbau. No entanto, com a proximidade da Semana Santa e do pico turístico, a interrogação ressurge: por que não temos um turismo tão expressivo o ano todo, como ocorre em cidades mineiras, estados vizinhos ou nas serras gaúchas?
A resposta é direta e não adianta ter um espetáculo de nível internacional em Nova Jerusalém ou trilhas dignas de cinema no Sertão se o turista não tem onde dormir com conforto. A escassez de hotelaria nessas regiões é o grande gargalo do nosso desenvolvimento.
Hoje, quem visita o interior muitas vezes precisa fazer o “bate e volta” ou se sujeitar a acomodações aquém do padrão de exigência de quem já viajou o mundo e quer investir em lazer de qualidade dentro do próprio país.
O desenvolvimento turístico de Pernambuco não pode ser um esforço isolado. Ele precisa de um tripé que hoje ainda bate cabeça: o poder público, a iniciativa privada e o mercado imobiliário.
Atualmente o estado passa pela maior entrega de requalificações de estradas dos últimos anos, além do compromisso de ampliações dos aeroportos interioranos. Entretanto, para atrair empresas para a exploração desse nicho de mercado, ainda não se vê incentivos fiscais robustos para quem quer construir longe da capital.
Seja em Caruaru, com seus mais de 1000 quartos de hospedagem, seja em Garanhuns com sua incipiente rede hoteleira, é preciso enxergar a demanda reprimida, especialmente quando falamos de experiência de hospedagem. O público com poder aquisitivo que roda o país em busca de paisagens espera curadoria e serviço.
Enquanto isso, o Mercado Imobiliário dessas cidades ainda não despertou para o potencial de condomínios de segunda residência, hotéis-boutique e multipropriedade, que podem sustentar o turismo o ano inteiro, e não apenas em datas sazonais, a exemplo do modelo implantado em Gramado(RS), Lençóis(BA), e Campos do Jordão(SP).
Cidades como Brejo da Madre de Deus (com o Teatro da Nova Jerusalém em destaque) e Buíque (porta de entrada do Vale do Catimbau), não precisam apenas de visitantes; elas precisam de investidores arrojados, que encontrem espaço de diálogo e parceria nas administrações públicas, dispostas a definir parâmetros de produção para o mercado imobiliário voltado ao turismo. Construir leitos e infraestrutura de lazer não é apenas “fazer hotel”, é criar um ativo que valoriza a região e gera receita contínua, tirando o turismo da dependência de eventos específicos.
Pernambuco está sentado sobre uma mina de ouro cultural e geográfica, mas ainda falta picareta para minerar. Nesta Semana Santa, a carência hoteleira será exposta novamente para milhares de turistas que buscam permanecer nos destinos de visitação. Para o investidor e o gestor público atento, o interior não será um problema, e sim a maior oportunidade de negócio imobiliário do Nordeste para a próxima década. O turista está pronto e quer ir; o que falta agora é construir onde e como ele vai viver a maior e melhor experiência de pernambucanidade.
Lívia Santos é advogada, especialista em estruturação de projetos de parcelamento do solo e direito imobiliário empresarial, membro da Associação de Desenvolvimento Imobiliário e Turístico do Brasil (ADIT), do Imobiliário Por Elas, está vice-presidente da Comissão de Direito Imobiliário da OAB/PE e coordenadora do Grupo de Mulheres do Instituto Brasileiro de Direito Imobiliário (IBRADIM).
O desenvolvimento urbano no Brasil vive um momento de transição de paradigma. Se no século passado o foco era a expansão volumétrica e rodoviarista, o século XXI, especialmente diante das emergências climáticas e de segurança pública, exige resiliência, sustentabilidade e, acima de tudo, gestão da vida cotidiana.
Em Pernambuco, o sucesso de políticas habitacionais como o Morar Bem em parceria com o Minha Casa, Minha Vida – programas de acesso ao crédito para aquisição da casa própria, sobretudo para famílias de baixa renda estadual e federal, aponta para uma realidade incontornável: a mulher é o esteio da política habitacional. No entanto, o mercado e o Estado precisam avançar na promoção de medidas para que esse protagonismo deixe de ser apenas na recepção das chaves e passe a ser na formulação das ideias de cidade em que elas desejam viver.
De acordo com análise e pesquisa publicada pela ABECIP – Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança em outubro de 2025, a mulher é a principal responsável pela decisão final na aquisição de um imóvel no Brasil. Estima-se que, em muitas famílias, a mulher influencia ou determina a compra em mais de 80% dos casos. Esse dado reflete a sua posição central na gestão da vida familiar e do lar, onde a localização, a segurança e a proximidade de serviços essenciais são prioridades.
A inclusão de mulheres em cargos de decisão, conselhos técnicos e na redação de leis que impactam o setor imobiliário e da construção civil não é uma questão de cota, mas de junção da habilidade técnica com foco na realidade.
Historicamente, a construção da ideia de espaço urbano foi segmentada, pensada por homens para homens, através da tradicional política do capital, que distinguiu a cidade entre o “viver” e o “trabalhar”, ignorando que, entre esses pólos, existe uma rede invisível voltada ao cuidado, e hoje ela precisa ser integrada a fim de fechar a conta. É aqui que a “Teoria do Cuidado” e o conceito de “cidades de 15 minutos” entram em ação, onde as necessidades essenciais podem ser atendidas em curtas distâncias a pé ou de bicicleta, revelando-se como um diferencial competitivo econômico e social.
Ao desenhar um produto imobiliário ou uma lei de zoneamento, a gestora projeta para além da unidade de uso privado, enxergando o trajeto da criança até a escola, a disponibilidade de creches e parquinhos, a acessibilidade na calçada para o idoso e pessoas com deficiência, a ocupação de fachadas com vistas a pôr olhos nas ruas e assim garantir a segurança e a funcionalidade necessárias para que ela e todos possam habitar.
Essa “gestão do viver” traduz-se em cidades mais eficientes e, por consequência, mais valorizadas, através de projetos que consideram a dinâmica social, tendendo a gerar bairros mais resilientes e menos propensos à degradação. Quando as mulheres ocupam os espaços de poder no setor da construção e do urbanismo, o resultado é um produto final que dialoga com quem realmente utiliza a cidade.
Pernambuco tem a oportunidade de liderar essa vanguarda, e para isso não basta que os programas habitacionais tenham o recorte de gênero na titularidade dos imóveis; é preciso que o setor produtivo e o legislativo incorporem o olhar feminino na concepção dos espaços urbanos.
Fomentar o protagonismo das mulheres na engenharia, na arquitetura, na política urbana é, portanto, garantir que o crescimento das cidades seja sólido, inclusivo e, acima de tudo, inteligente. A cidade que cuida de seus cidadãos prospera para todos e desperta o desejo de estar e viver.
Lívia Santos é advogada, especialista em estruturação de projetos de parcelamento do solo, membro do Imobiliário Por Elas, está vice-presidente da Comissão de Imobiliário da OAB/PE e coordenadora do Grupo de Mulheres do IBRADIM.
No calendário, o 8 de março é o Dia Internacional da Mulher. Nas ruas da Capital do Agreste, porém, todos os dias são delas. As mulheres movimentam a maior feira do mundo, lideram confecções e são a base de grande parte das famílias da nossa região. Mas existe um paradoxo incômodo: embora sejam o motor da economia e da cultura, as mulheres ainda ocupam poucos assentos nos espaços onde as decisões de poder realmente acontecem.
É comum ouvirmos que as mulheres trazem “sensibilidade” à gestão. Mas a verdade é mais profunda e menos romântica: elas trazem eficiência. Uma cidade que não tem figuras femininas em cargos de liderança — seja na política ou na iniciativa privada — padece de uma visão limitada.
Quem vive a jornada dupla – por vezes até tripla, quem cuida da logística doméstica e quem mais utiliza o transporte público e equipamentos de saúde, tem uma percepção cirúrgica sobre o que funciona e o que falha em Caruaru. O protagonismo feminino no poder não é uma concessão, é uma necessidade estratégica para que a cidade cresça com equilíbrio social e econômico.
Não podemos falar em celebração sem encarar a realidade dos dados. A violência de gênero ainda é uma mancha estatística que precisamos apagar. O enfrentamento a essa situação não é apenas uma “pauta feminina”, é um dever de todo cidadão que preza pela ordem e pelo bem-estar social.
O maior gesto de respeito que se pode oferecer à uma mulher hoje é a garantia de sua integridade. Isso passa por medidas urgentes de proteção e, fundamentalmente, por garantir que elas participem da criação das leis e das estratégias de enfrentamento à violência. Afinal, ninguém melhor do que quem sente o risco para desenhar a solução..
Neste março, que as homenagens sejam o ponto de partida para uma reflexão maior: o lugar da mulher na construção da cidade deve ser exatamente onde as decisões são tomadas para que tenhamos um lugar sustentável para se viver e empreender.
No Brasil, o dia 06 de dezembro, de acordo com a Lei 11.489/2007, representa o Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência Contra as Mulheres e Meninas, seguindo o movimento Internacional da Campanha do Laço Branco, após o trágico Massacre de Montreal em 1989, onde 14 estudantes foram assassinadas simplesmente por serem mulheres.
A cada hora, uma mulher é vítima de feminicídio ou tentativa de assassinato motivado por questões de gênero, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2024. Em cerca de 90% dos casos, os autores são homens que mantêm ou mantiveram relacionamentos íntimos com as vítimas. Esse tipo de estatística revela que a urgência na proteção da vida das mulheres passa, essencialmente, pela mudança de atitude e perspectiva por parte dos homens.
Não se trata de “salvar” as mulheres, mas de assumir a corresponsabilidade pelo problema que já possui status de epidemia. A violência de gênero é estrutural e, historicamente, perpetuada.
Este dia não pode ser apenas uma data no calendário; é um reforço para que homens em posição de liderança — seja no trabalho, na família ou no círculo social — compreendam que:
Em Pernambuco, por iniciativa do Tribunal de Justiça Estadual, este ano foi instituído o Programa Reconstruir, que capacita e acompanha homens autores de violência, ofertando grupos reflexivos e atendimento especializado.
Campanhas como do Laço Branco e Projeto Reconstruir compreendem mais que um movimento, mas a busca pelo compromisso de jamais cometer, apoiar ou se calar diante da violência dirigida às mulheres, um convite para usarmos a voz e a influência dos homens para construir um ambiente mais seguro e equitativo para todas as pessoas; afinal, o verdadeiro respeito e a verdadeira força de um homem se manifestam na proteção dos direitos e da integridade de todos, especialmente daqueles mais vulneráveis.
Próximo dia 25 de novembro, Caruaru sediará o primeiro congresso do agreste sobre o enfrentamento da violência de gênero, promovido pela Secretaria da Mulher do Município.
Sabemos que esse assunto é algo alarmante, pois a violência e suas múltiplas formas, não é apenas um problema social e legal, mas também espacial.
A maneira como nossas cidades são projetadas e geridas tem um impacto direto na percepção de segurança e na vulnerabilidade das mulheres, especialmente em ambientes públicos. Olhar para o planejamento urbano não é apenas uma questão de infraestrutura, mas uma estratégia fundamental no enfrentamento dessa violência.
Um dos conceitos centrais para projetar cidades mais seguras é a Prevenção da Criminalidade Através do Desenho Ambiental (CPTED). A ideia é simples: um ambiente que é visto, usado e bem cuidado inibe a criminalidade.
Isso se traduz em práticas como Iluminação Eficaz de ruas, paradas de ônibus e parques, redução de pontos cegos e aumento da visibilidade, diminuindo a sensação de isolamento e medo, especialmente no uso das calçadas em horários noturnos.
O desenho de edifícios e espaços que evitem muros altos, arbustos densos e recantos isolados permite a vigilância natural por parte dos próprios moradores e usuários. Mais olhos nas ruas significam mais segurança.
Outro fator importante no planejamento das cidades é a criação de áreas que combinam residências, comércio e serviços, para que se mantenham ativas em diferentes horários do dia. Uma rua movimentada às 18h e às 22h é inerentemente mais segura do que um distrito puramente comercial que se esvazia após o expediente.
Outro elemento urbano que repercute diretamente na violência de gênero está ligado à mobilidade urbana. Muitas mulheres relatam medo ou são vítimas de assédio e violência no trajeto para casa, no transporte público, esperando em pontos isolados, utilizando as ruas e calçadas durante as práticas esportivas.
O planejamento deve garantir rotas de deslocamento que sejam seguras e eficientes, tais como a localização de pontos de ônibus ou estações de metrô devem ser priorizadas em áreas bem iluminadas e próximas às zonas de atividade, nunca em lugares ermos ou túneis isolados.
Calçadas em bom estado de conservação, livres de obstruções e com boa iluminação são essenciais. O trajeto a pé não pode ser uma rota de risco. As cidades precisam de calçadas contínuas e transitáveis que priorizem o pedestre, não apenas o carro.
Um espaço público que é percebido como masculino ou hostil a grupos minoritários é, por definição, um espaço inseguro. Cidades planejadas com uma perspectiva de gênero buscam criar espaços que sejam percebidos como acolhedores por todos. Isso significa Parques e Praças com desenho de áreas de lazer que atendam a diversas necessidades (não apenas quadras de esportes masculinas), com banheiros públicos limpos e seguros, e mobiliário que incentive a permanência e a interação social diversificada.
Para isso, o processo de planejamento não pode ser feito apenas por técnicos. As experiências e o conhecimento das mulheres sobre o ideário de cidade, a insegurança e soluções vislumbradas devem ser coletados e integrados no desenho final do bairro ou da cidade.
Combater a violência de gênero através do planejamento urbano é reconhecer que a segurança é um produto do design, e não apenas da repressão. Cidades mais seguras para mulheres são, inevitavelmente, cidades melhores e mais vibrantes para todos.
Em período de COP-30, em que os olhos do mundo se voltam para as discussões climáticas que estão acontecendo no Brasil, é válido lembrar que preservação do meio ambiente não é responsabilidade exclusiva de governos ou grandes organizações; é um desafio sistêmico que exige a colaboração entre cidadãos, empresas e gestões públicas.
A inércia individual e setorial custa caro, e não há mais tempo para a passividade. A perspectiva ambiental da ONU, que pauta discussões globais como a próxima conferência do clima, que acontecerá em Belém/PA, reitera que a cooperação é fundamental para um futuro sustentável.
Eventos como este estabelecem metas ambiciosas, mas a verdadeira mudança acontece nas bases, através das micro ações diárias de cada um.
Se por um lado temos os cidadãos como principais afetados pelas alterações do efeito estufa e o aquecimento global, é através deles que temos como implementar ações como a separação correta de resíduos para reciclagem, redução do consumo de água e energia, e a escolha por transportes menos poluentes, que isoladamente parecem pequenas, mas em conjunto, geram um impacto positivo imensurável. A participação social também garante que as políticas públicas sejam justas e atendam às necessidades reais das comunidades.
O setor privado tem a capacidade de inovar e adotar práticas sustentáveis em toda a cadeia de produção. Investir em tecnologias limpas, programas de reciclagem, reflorestamento e responsabilidade social não é apenas uma questão ética, mas um diferencial competitivo em um mercado cada vez mais consciente.
E para compor a tríade, os governos são elementares, devendo atuar como agentes catalisadores dessas boas práticas, criando políticas públicas eficientes, fiscalizando o cumprimento das leis ambientais e oferecendo incentivos para a sustentabilidade. A gestão ambiental pública eficiente identifica desperdícios e otimiza recursos, garantindo a proteção dos ecossistemas para as gerações presentes e futuras.
A COP 30, ao ocorrer na Amazônia, destaca a urgência de proteger biomas vitais e valorizar a bioeconomia, unindo desenvolvimento econômico, social e conservação. O sucesso desse e de outros eventos depende da capacidade de mobilizar todos os setores da sociedade, transformando o discurso global em ação local.
A parceria entre a sociedade civil, o setor privado e o poder público, impulsionada por micro ações conscientes, é a única via para enfrentar a crise climática. A responsabilidade é compartilhada e a ação conjunta é inegociável para garantir a sobrevivência e o bem-estar no planeta.
O governo federal implementou um novo modelo de crédito imobiliário com o objetivo de reestruturar o uso da poupança e ampliar o acesso ao financiamento, principalmente para a classe média. As mudanças, anunciadas recentemente, impactam diretamente o Sistema Financeiro da Habitação (SFH) e trazem perspectivas de aquecimento para o mercado imobiliário brasileiro.
O cerne da alteração reside na redefinição da alocação dos recursos da poupança (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo – SBPE). O modelo em transição (com plena vigência em 2027) tem por objetivo tornar o uso da poupança mais eficiente, permitindo que as instituições financeiras utilizem os recursos em operações mais rentáveis, desde que mantenham o volume de crédito habitacional.
A principal alavanca para o mercado reside na ampliação do teto de financiamento e na melhoria das condições de acesso para a classe média, que estava desassistida nas faixas mais altas de renda.
O valor máximo dos imóveis financiáveis pelo SFH, utilizando recursos da poupança e do FGTS, foi elevado de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões. Este ajuste, alinhado à valorização imobiliária e inflação, expande significativamente o universo de imóveis elegíveis para financiamento com condições mais vantajosas (juros limitados a 12% ao ano).
Com o aumento do teto e a maior liquidez para o crédito, o mercado secundário (imóveis prontos) tende a ser aquecido e também os lançamentos de imóveis de valor mais elevado, atingindo famílias com renda entre R$ 12 mil e R$ 29 mil.
Alem disso, foi lançado o crédito para reforma de até R$ 30 mil com juros reduzidos voltada para famílias de renda mais baixa (até R$ 9,6 mil), o que também deve impulsionar o setor de construção civil de pequeno porte e o varejo de materiais de construção.
O novo modelo de crédito imobiliário é uma reforma estrutural que maximiza a eficiência dos recursos da poupança para financiar a habitação. Ao aumentar o teto e injetar maior liquidez, o governo não apenas busca desafogar o crédito para a classe média, mas também fornece um estímulo direto para a produção e comercialização de imóveis, sinalizando a busca real para concretizar o potencial aquecimento de 5,4% para o mercado imobiliário brasileiro nos próximos anos (até 2029, segundo a CBIC), em busca de reduzir o déficit habitacional que ainda possui os alarmantes quase 6 milhões de habitações no país.
A Reforma Tributária que está sendo implementada no Brasil é uma mudança grande no jeito que os impostos são cobrados atualmente. Para quem se preocupa com o próprio dinheiro e patrimônio imobiliário, é importante entender como isso pode afetar o mercado, seja na hora de comprar, vender ou alugar.
O objetivo principal da reforma é simplificar a arrecadação e trazer mais transparência para a identificação da carga tributária qua cada produto possui, para isso ela vai substituir os PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS criar dois novos impostos principais, o IBS e a CBS.
Na compra de imóveis, em tese, a reforma vai ajudar quem compra o primeiro imóvel ou as chamadas habitações de interesse social (HIS), isso porque para a compra de imóveis populares, o governo promete que as produções imobiliárias que se enquadrarem em programas como o Minha Casa, Minha Vida, deverão ter uma carga tributária menor. Isso acontecerá por meio de descontos (chamados de “redutores sociais”) na base de cálculo do imposto. A ideia é que o preço final para o adquirente desse tipo de produto fique um pouco mais em conta.
Já para os imóveis de alto padrão, a estimativa é que a carga tributária aumente um pouco, já que o imposto será maior sobre o valor total. De modo geral, a reforma quer que o imposto não seja “escondido” no preço do produto (o que acontecia antes) e sim que o adquirente compreenda de forma objetiva o que está pagando. Isso terá relação direta com a transparência do custo real da construção. Para quem aluga, especialmente o contribuinte pessoa física, a reforma traz uma mudança significativa que merece muita atenção.
Aqueles que possuem imóveis alugados na pessoa física, com a substituição dos tributos, poderão vir a ser contribuintes, mesmo que a receita da locação não seja a atividade principal de renda. Isso porque pela alteração trazida na lei complementar que estabeleceu a reforma, e com o cruzamento de informações financeiras cada vez mais ágeis pela Receita Federal e as instituições bancárias, a partir de 2026, os locadores poderão ser obrigados a pagar o novo imposto (IBS/CBS) além do IRPF, se a renda anual com locação for acima de R$ 240 mil para locações simultâneas de mais de 3 imóveis; ou quando o objeto da locação for um único imóvel, a receita ultrapassar R$ 288 mil/ano.
Outra informação importante é que a mudança arrecadatória também afetará a forma como os serviços serão tributados para quem trabalha no setor ou quem os utiliza da assessoria de corretores e imobiliárias regularmente, que também terão a incidência do novo imposto, o que poderá levar a uma leve mudança nos custos cobrados por esses profissionais.
Mas não há motivo para pânico, as mudanças não acontecerão do dia para a noite. A transição para o novo sistema será gradual, iniciando-se em 2026 e durando até 2033, tempo razoável para que seja executado um planejamento tributário eficientemente elaborado para quem desenvolve atividade econômica nesse pujante mercado.
Em resumo, a reforma traz simplificação para o mercado, mas exige que os contribuintes, especialmente o que tem imóveis para alugar e os produtores de construções populares, fiquem atentos as novas regras para não serem pego de surpresa e poderem se valer dos benefícios que a atividade receberá para quem empreende no setor. Acompanhar a regulamentação e contar com assessoria contábil e jurídica especializada é o melhor caminho para planejar-se financeiramente e obter os melhores resultados.
Muito se fala sobre a ascensão das Inteligências Artificiais (IAs) e da robotização, e como elas estão transformando o mercado de trabalho e o atendimento ao cliente. No entanto, em meio a essa revolução tecnológica, surge uma questão crucial: o atendimento humano ainda é um diferencial, ou até mesmo um rei, na era das IAs?
Recentemente a Agência do CNJ divulgou a Apoia (Assistente Pessoal Operada por Inteligência Artificial), primeira ferramenta de inteligência artificial (IA) generativa integrada à Plataforma Digital do Poder Judiciário Brasileiro (PDPJ-Br), que já está disponível para uso de todos os tribunais brasileiros. Eis que surge o paradoxo da Tecnologia X Humanidade.
Em um mercado cada vez mais comoditizado, onde produtos e serviços são facilmente comparáveis, a experiência do cliente emerge como o principal campo de batalha. É aqui que o atendimento humano brilha. Empresas que conseguem equilibrar a eficiência da IA com a calorosidade e a personalização do toque humano estão se destacando.
É inegável que a robotização trouxe inúmeros benefícios, como eficiência, velocidade e redução de custos. Empresas de todos os setores estão investindo pesado em chatbots, assistentes virtuais e sistemas automatizados para otimizar suas operações, e que bom que o sistema judiciário brasileiro está se dedicando a seguir o mesmo caminho. No entanto, a mesma tecnologia que agiliza processos pode, paradoxalmente, criar um vácuo na experiência do usuário, onde existe o risco da interação se tornar impessoal e padronizada, não havendo a submissão à realidade ou até mesmo, quando não supervisionada, ela pode criar situações de constrangimento.
Apesar de todas as inovações, há aspectos do atendimento que a IA ainda não consegue replicar, e talvez nunca consiga. A empatia, a compreensão de nuances emocionais, a capacidade de resolver problemas complexos que exigem criatividade e pensamento lateral, e a construção de um relacionamento genuíno são qualidades intrinsecamente humanas.
O serviço humano, com sua capacidade de criar conexões genuínas e resolver desafios complexos, não está obsoleto; pelo contrário, ele se reafirma como um diferencial inestimável, um verdadeiro rei na era das IAs.
Lívia Santos é advogada, fundadora do escritório boutique especializado em Mercado Imobiliário, teve passagem pelo serviço público, quando atuou na gerência geral da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e da Mulher de Caruaru, na gestão Rodrigo Pinheiro, atualmente vice-preside a Comissão de Direito Imobiliário da OAB/PE, e atua na coordenação nacional do grupo de mulheres do Instituto Brasileiro de Direito Imobiliário (IBRADIM), além de ser árbitra em matéria imobiliária e condominial pelo Centro de Soluções Jurídicas Extrajudiciais (CSE/RJ).
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