O secretário-executivo do Ministério da Previdência Social, Adroaldo Portal, foi preso na manhã desta quinta-feira (18) durante nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal. Considerado o número dois da pasta, Portal, de 55 anos, cumprirá prisão domiciliar. Jornalista, ele ocupava o cargo desde maio deste ano, quando foi nomeado mesmo após o escândalo de fraudes no INSS já estar em curso, e foi exonerado do posto após a detenção.
A operação investiga um esquema nacional de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo a Polícia Federal, a organização criminosa atuava de forma estruturada, com núcleos responsáveis pela captação de dados de beneficiários, inserção de informações falsas em sistemas oficiais e ocultação do dinheiro desviado. As medidas foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e a ação ocorre em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU).
Adroaldo Portal integrava o Ministério da Previdência Social desde o início do governo Lula, ainda na gestão do então ministro Carlos Lupi (PDT), e foi mantido no cargo pelo atual titular da pasta, Wolney Queiroz. Em maio deste ano, foi nomeado secretário-executivo, tornando-se o número dois do ministério em um momento em que o escândalo de fraudes no INSS já havia vindo a público.
Antes da promoção, Portal exerceu a função de secretário do Regime Geral de Previdência Social entre fevereiro de 2023 e maio de 2025. Ao longo desse período, ocupou posições estratégicas na estrutura do ministério e teve atuação direta em áreas centrais da política previdenciária.
Além de Adroaldo Portal, a PF prendeu Romeu Carvalho Antunes, filho de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como um dos principais articuladores do esquema. Outro alvo é o advogado Eric Douglas Martins Fidelis, filho do ex-diretor de Benefícios do INSS André Fidelis, que já havia sido preso em fase anterior da operação. Ao todo, são cumpridos 52 mandados de busca e apreensão, 16 de prisão preventiva e outras medidas cautelares em diversos estados e no Distrito Federal.
A investigação também alcançou o senador Weverton Rocha (PDT-MA), alvo de mandados de busca e apreensão. Agentes federais apreenderam carros de luxo, armas, dinheiro, joias, relógios importados e outros bens de alto valor. Segundo a PF, a apuração busca esclarecer crimes como estelionato previdenciário, inserção de dados falsos em sistemas oficiais, organização criminosa e ocultação e dilapidação patrimonial.
Em nota, o Ministério da Previdência Social informou que o ministro Wolney Queiroz determinou a exoneração de Adroaldo Portal e anunciou que o procurador-federal Felipe Cavalcante e Silva, atual consultor jurídico da pasta, assumirá a função de secretário-executivo. Já o senador Weverton Rocha afirmou que recebeu “com surpresa” a realização de buscas em sua residência e declarou que, “com serenidade”, está à disposição para prestar esclarecimentos assim que tiver acesso integral à decisão judicial.